Política

Senador bolsonarista tentou produção da Covaxin por empresas veterinárias

Heinze atuou como intermediário para converter fabricação de vacina para febre aftosa em imunizante para covid-19


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Senador bolsonarista tentou produção da Covaxin por empresas veterinárias
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Membro da CPI da covid, o senador governista Luis Carlos Heinze (PP-RS) fez lobby para a inclusão de empresas do setor veterinário na produção de vacinas contra a covid-19 e atuou como intermediário de negócios que incluíram a Precisa Medicamentos, investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado pelo contrato de R$ 1,61 bilhão assinado entre a empresa, a fabricante indiana Bharat Biotech e o Ministério da Saúde para o fornecimento de 20 milhões de doses da vacina Covaxin.

O parlamentar prospectou possibilidades de atuação da Precisa em parceria com grandes indústrias do setor animal para produção da vacina. A ideia era converter a produção de vacina para febre aftosa em imunizante para covid-19.

Integrantes da Precisa disseram que a empresa assinou três acordos de confidencialidade para tentar viabilizar a produção de vacina para covid-19 em plantas industriais de produtos animais. Os acordos teriam sido assinados com a Boehringer Ingelheim Brasil, com a Ourofino Saúde Animal e com a Ceva Saúde Animal.

O senador aliado de Bolsonaro fez quatro ligações para o celular da diretora técnica da Precisa, Emanuela Medrades, em 18 de abril.

A atuação de Heinze também foi descrita em documentos da diplomacia brasileira entregues à CPI. O embaixador brasileiro em Nova Deli (Índia), André Aranha Corrêa do Lago, afirmou ter sido abordado pelo senador sobre o assunto, como consta em ofício do Ministério das Relações Exteriores enviado à CPI.

"De acordo com as informações recebidas pelo posto, para que esses entendimentos possam prosseguir, a Anvisa deverá decidir sobre dois temas: as condições necessárias para a adaptação das instalações veterinárias para iniciar a produção de vacinas contra o coronavírus; e a aprovação da Covaxin para importação e uso no Brasil. Nesse último caso, uma decisão poderia ser tomada em breve", citou o documento.

O senador agia principalmente junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e também organizou uma reunião com representantes do setor no Palácio do Planalto no dia 11 de junho.

Participaram do encontro o então ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos; das Relações Exteriores, Carlos França; da Saúde, Marcelo Queiroga; da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, da Agricultura, Tereza Cristina; além do presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres.

Por meio de sua assessoria, Heinze afirmou que seu único objetivo ao conversar, não só com a Precisa, mas com outros laboratórios e empresas de representação farmacêutica, "era o de viabilizar a produção de vacinas e permitir a imunização dos brasileiros", além de salvar vidas.


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