Política

Disputa pela avenida Paulista no 7 de setembro preocupa

Manifestações Na teoria, o dia é de direito dos bolsonaristas, respeitando o revezamento controlado pela PM de São Paulo


ROGÉRIO CASSIMIRO/MTUR
Em São Paulo, a avenida Paulista tem sido o palco principal das manifestações políticas de ambas as frentes
Crédito: ROGÉRIO CASSIMIRO/MTUR

Manifestantes de esquerda e de direita reivindicam o direito de fazer um ato em 7 de Setembro na avenida Paulista, em São Paulo. Tanto opositores quanto apoiadores do presidente Jair Bolsonaro convocaram protestos no local, na mesma data, embora uma decisão judicial proíba a presença, ao mesmo tempo, de "movimentos ideologicamente opostos" na via, para evitar confrontos. O caso deve acabar na Justiça.

Grupos antibolsonaristas, como Acredito, Povo Sem Medo, Central de Movimentos Populares (CMP), sindicatos e partidos de esquerda entrarão com uma ação no Ministério Público para contestar e tentar impedir a realização do ato de apoiadores do presidente no Dia da Independência. A depender da decisão da Justiça, quem passaria a ter a permissão para ir à Avenida Paulista seriam justamente os opositores do presidente.

No final de julho, grupos antibolsonaristas passaram a divulgar uma manifestação pelo impeachment do presidente, marcada para o Dia da Independência, na avenida.

Dias depois, no começo de agosto, apoiadores de Bolsonaro começaram a convocar um protesto na mesma data e local contra ministros do Supremo Tribunal Federal e a favor do voto impresso, tema que já foi barrado na Câmara dos Deputados, mas que continua sendo uma bandeira do presidente. O impasse, porém, não é resolvido por quem marca o ato primeiro.

A percepção das autoridades é de que os ânimos estão se exaltando em São Paulo e no país. O medo é de desrespeito ao rodízio e consequente conflito. A PM-SP autorizou apoiadores de Bolsonaro a ocupar a Paulista no Dia da Independência porque a esquerda se manifestou no dia 24 de julho. Os opositores do presidente contestam e entendem que a vez é deles, pois o último embate por data teria sido em 1.º de maio, quando bolsonaristas realizaram seu ato.

Uma ata de agosto da Polícia Militar, porém, registra como 24 de julho a última disputa pelo direito de usar a via, que acabou naquele dia tendo protestos antibolsonaristas, enquanto um grupo pequeno organizou um ato de cunho religioso no parque Ibirapuera.

Opositores do governo começaram a convocar publicamente sua militância em 30 de julho. Bolsonaristas falam em ir à Paulista no Dia da Independência desde 3 de agosto, puxados por influenciadores como a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e Tomé Abduch, porta-voz do Nas Ruas. O movimento pretende levar a pauta do "voto eletrônico auditável com contagem pública de votos" à manifestação.

"O NasRuas seguirá orientações da Polícia Militar", diz Abduch. "Nossa pauta para a manifestação não é ideológica. Queremos mais segurança para que a população tenha a certeza que seu voto foi para candidato escolhido.

Carla afirmou que o ato agendado pela direita será pela "liberdade" e para reafirmar a independência do Brasil. "O NasRuas tem um papel histórico pois há 10 anos realiza o ato na Paulista no dia Sete de setembro", disse sobre o movimento que fundou em 2011 e do qual se desligou em 2018.


Notícias relevantes: