Política

Doria chama Aécio de 'covarde' e diz que deputado é pária no PSDB

Doria já havia defendido o afastamento de Aécio do PSDB, mas a executiva do partido rejeitou a proposta


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Doria ataca Aécio
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Na noite da última segunda-feira (23), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV cultura, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), realizou uma série de ataques ao deputado federal Aécio Neves (MG), seu colega de partido.

O governador paulista, que disputará a prévia que escolherá em novembro o candidato da sigla à Presidência da República, chamou o mineiro de "covarde" e "pária dentro do PSDB" ao comentar a votação da PEC do voto impresso na Câmara. Doria ainda defendeu que Aécio peça afastamento da legenda por causa das denúncias de corrupção que enfrenta.

"Aécio Neves tem a síndrome da derrota. E começou a sua pior derrota naquele triste telefonema para um empresário aqui de São Paulo pedindo propina. Eu entendo que pessoas que pedem propina a empresário do meu partido deveriam se afastar", afirmou o governador paulista.

Em 2017, o empresário Joesley Batista, da JBS, entregou à Procuradoria-Geral da República a gravação de um diálogo em que Aécio lhe pedia R$ 2 milhões.

Doria já havia defendido o afastamento de Aécio do PSDB, mas a executiva do partido rejeitou a proposta.

"Antes que o partido pedisse a sua expulsão, ele deveria ter a dignidade de se afastar do PSDB. Faça a sua defesa. Se for inocentado, volta".

Dória acredita que a atitudade de Aécio pode ser comparada com a sua abstenção na votação da PEC do voto impresso neste mês.

"Ele não teve essa grandeza (de se afastar) e não teve a grandeza agora porque trabalhou a sua bancada, se é que podemos chamar assim, para votar a favor de Bolsonaro contra a democracia. E na hora do vamos ver, se abasteve. Foi um covarde mais uma vez", afirmou o governador paulista.

Indagado sobre a fala de Aécio de que se Doria for candidato a presidente levará o PSDB ao isolamento e transformará a legenda em nanica, o governador partiu novamente para o ataque:

" Que autoridade tem Aécio Neves para falar isso? Nenhuma. Ele é um pária dentro do PSDB e tem a síndrome da derrota. Terei o prazer de vencer aqueles que pensam como Aécio Neves e dever de estar ao lado dos que defendem o PSDB como Fernando Henrique Cardoso", diferiu Doria.

Doria também acusou o deputado de fazer acordos com Bolsonaro.

"Não me entreguei a Bolsonaro. Não faço acordos com Bolsonaro, não me reúno no Palácio da Alvorada, nem no Palácio do Planalto com o presidente Bolsonaro como faz Aécio Neves. Não negocio emendas na calada da noite com Bolsonaro para defendê-lo depois na Câmara. Eu apenas lamento que ele esteja no mesmo partido do que eu".

Durante o programa, Doria ainda voltou a chamar o presidente Jair Bolsonaro de "psicopata". Também afirmou que a inteligência da polícia de São Paulo identificou riscos de ataques a prédios públicos de Brasília em manifestações a favor do governo marcadas para dia 7 de setembro. Segundo o governador, a identificação foi feita através do monitoramento das redes sociais de bolsonaristas de São Paulo.

O governador disse que não acredita que Bolsonaro aceitará se reunir com governadores para tentar diminuir a tensão entre os poderes, como foi proposto pelos chefes dos executivos estaduais nesta segunda-feira.

Doria também afirmou na entrevista que considera o governo Bolsonaro pior do que o de Dilma Rousseff (2011-2016).

"Dilma fez um péssimo governo e o Bolsonaro conseguiu ser pior", atacou Doria;

Sobre a provável saída do ex-governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político, do PSDB, Doria afirmou ter proposto a ele que disputasse o Senado ou as prévias da sigla no estado. Também tentou mostrar conformismo com mudança de sigla do antigo aliado.

"Gosto e continuarei a gostar dele mesmo que ele vá para outro partido".

Ainda sobre o PSDB, o governador de São Paulo afirmou que o senador Tasso Jereissati (CE) desistiu de participar das prévias que definirão o candidato à Presidência, marcadas para novembro. Até o fim da noite desta segunda-feira, o partido não havia sido comunicado oficialmente sobre o assunto.

 


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