Política

Alckmin deverá levar tucanos 'anti-Doria' em saída do PSDB

ELEIÇÕES 2022 Tucanos de Jundiaí e Região lamentam a saída do ex-governador e consideram que ele será um duro adversário na disputa estadual


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Alexandre Mustafa
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Próximo de sair oficialmente do PSDB e migrar para o PSD para disputar o governo paulista em 2022, o ex-governador Geraldo Alckmin deve levar com ele um grupo de tucanos históricos e consagrados - que internamente batem de frente com o atual governador João Doria - e reunir em seu palanque um grupo forte de novos aliados que, inclusive, já foram seus adversários políticos.

A decisão de deixar o partido do qual é fundador, anunciada publicamente por Alckmin na semana passada, preocupa integrantes da sigla, que temem uma divisão do eleitorado no estado governado há 27 anos pelo PSDB e que nunca esteve tão ameaçado quanto hoje.

No Palácio dos Bandeirantes, o vice-governador Rodrigo Garcia (recém-filiado ao PSDB) é pré-candidato a governador e, com isso, Alckmin não deve ter o apoio formal de muitos prefeitos com mandato, mas seus aliados contam com a ajuda informal de antigos aliados. Se vencer as prévias presidenciais do PSDB, Doria terá que deixar o cargo até abril do ano que vem.

Coordenador regional do PSDB e vice-prefeito de Itupeva, Alexandre Mustafa entende que a saída de Alckmin seria uma perda considerável, mas que ninguém é maior que o partido. "Geraldo Alckmin é nosso eterno governador, um dos pilares na construção de nosso de partido, um quadro importante para o PSDB, para o estado e para o Brasil. Esperamos que continue conosco, mas o partido vai muito além de suas individualidades.", aponta.

Mustafa relembra que o PSDB tem uma história de eficiência, de políticas públicas em São Paulo e no Brasil, e que muitas delas passaram por Alckmin. "Esperamos que o partido dê sequência a seu trabalho de formar novas lideranças capazes de manter essa excelência na vida pública", finaliza.

Entre os que acompanharão Alckmin e deixarão o PSDB estão o ex-deputado federal e ex-prefeito de São José do Rio Preto, Silvio Torres, que foi presidente estadual e secretário-geral nacional da sigla; o ex-deputado estadual de Bauru, Pedro Tobias, que também comandou o diretório estadual; e o ex-deputado federal Floriano Pesaro, que disputou as prévias estaduais em 2018.

O prefeito jundiaiense Luiz Fernando Machado (PSDB) lamenta a saída de Alckmin e lembra que as disputas dentro do partido sempre aconteceram. "Tenho um enorme respeito por Geraldo Alckmin e espero que confirme a sua permanência no PSDB, partido que é um dos fundadores. No entanto, é uma escolha exclusivamente dele. A discussão democrática interna é uma tradição muito firme do partido. Nesse caso, o PSDB também tem prezado pelo diálogo para encontrar o melhor", afirma.

Também devem deixar o PSDB o ex-deputado e ex-prefeito de Sorocaba, Antonio Carlos Panunzio e o ex-prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa. "Estou decidido a sair junto com o Geraldo por razões já conhecidas dentro e fora do PSDB", disse Silvio Torres ao Estadão. Filiado à legenda desde 1988, Torres foi um dos principais operadores políticos de Alckmin em Brasília e na executiva nacional do partido.

O ex-prefeito jundiaiense Miguel Haddad (PSDB) lembrou que o partido também tem planos para a Presidência da República, e que Alckmin pode ser importante para os planos nacionais dos tucanos. "Antes de pensarmos no âmbito estadual, devemos priorizar a busca pela convergência nacional e assim evitar a polarização que tanto divide o país atualmente. A partir das decisões nacionais, o cenário estadual será traçado. Caso o ex-governador Geraldo Alckmin concorra com o PSDB, estou certo de que prevalecerá o respeito e a disputa democrática", aponta.

Além de sua trajetória dentro da sigla, Alckmin também possui um histórico de parceria com a família Covas. "Me identifico mais com essa turma que está saindo, que é o velho PSDB, do que esse PSDB do João Doria. Minha tendência é ficar mais próximo do Geraldo", disse o ex-vereador Mário Covas Neto (Podemos), filho do ex-governador Mário Covas e tio do ex-prefeito Bruno Covas. Ele ressalta, porém, que essa é uma opinião pessoal, já que o Podemos ainda não bateu o martelo sobre sua posição em São Paulo em 2022.

Na sexta-feira (27), outro ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB) admitiu que estará no mesmo palanque do também ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) no ano que vem. Em entrevista, França reconheceu que o aliado sairá do tucanato e que restará ao grupo político definir apenas quem será cabeça de chapa.


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