Política

Discurso nos atos é visto como eleitoreiro e traz incertezas

7 de setembro Bolsonaro citou desobediência a ordens inconstitucionais do STF e parlamentares falam em crise e insegurança


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Jair Bolsonaro discursou em Brasília e São Paulo para milhares de apoiadores nos atos de 7 de setembro
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Os atos de 7 de setembro foram impactantes, principalmente pela fala antidemocrática do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Além dos focos principais em Brasília e na avenida Paulista, em São Paulo, diversos outros estados também participaram, com destaque para o Rio de Janeiro e para o Nordeste brasileiro.

As manifestações deste feriado da Independência, nesta terça-feira (7), foram o maior ato de campanha eleitoral já realizado pelo presidente Jair Bolsonaro mirando a reeleição, em 2022, destaca o cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando.

Para o especialista, temas como a pandemia da covid-19, a disseminação do vírus, o avanço dos preços de derivados do petróleo e alimentos deram lugar a novos ataques contra as urnas eletrônicas e outras narrativas eleitorais.

"De novo ele bate na tecla, muito bem preparada por ele, de colocar em dúvida a lisura do processo eleitoral e aponta, de forma direta, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, dizendo de forma muito clara que não vai mais obedecer 'àquele que açoita a Constituição'", afirmou Prando. "É uma posição política que leva o confronto ao limite", completou.

De acordo com Prando, "quando se força os discursos sobre a democracia, a tensão constante cria duas situações: a de ruptura ou de esgarçamento". "Acho pouco provável que haja condições políticas de haver uma ruptura, mas gera o esgarçamento e prejuízo no médio e longo prazos às instituições, que estão, de fato, já comprometida", reforçou.

O ex-prefeito jundiaiense Miguel Haddad (PSDB) afirma que ninguém, em sã consciência, tem ideia de qual será o desfecho dessa crise. "Em meio aos graves problemas que o povo brasileiro enfrenta, como a pandemia, a fome, o desemprego, a crise hídrica que alimenta a inflação, vitimando em especial as famílias mais pobres, assistimos o Chefe da Nação abrir uma severa crise constitucional ao declarar, no 7 de setembro, que não aceitará as decisões do Supremo."

Presidente da Câmara de Jundiaí, Faouaz Taha (PSDB), diz que o momento atual é delicado e pede seriedade. "Acho uma pena vermos esse cenário incerto e de ameaças. Acredito que as instituições democráticas são fortes, confio nelas, e torço para que a condução seja de respeito pela população e pelos Poderes", comenta.

Lideranças municipais e estaduais do PSDB irão se reunir nesta semana para definir um posicionamento oficial sobre os acontecimentos.

O dia seguinte

Em interação com apoiadores na manhã desta quarta-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que a inflação enfrentada no Brasil é culpa das medidas de restrição impostas pela pandemia da covid-19.

"Uma das consequências do fechamento (do comércio) é a inflação. O pessoal me culpa agora pela inflação. É impressionante. Falta conhecimento. Se fosse um outro presidente, tinha é ajudado a fechar tudo. A Argentina está meio complicado lá. Teve um lockdown decretado pelo presidente. Eu não embarquei nessa, não", disse o presidente ao grupo.

Durante a quarta-feira (8), a Ibovespa caiu 3% na abertura do pregão e o dólar, reagindo a esse viés cauteloso, disparou 2,38% e voltou para a casa de R$ 5,30.


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