Política

PSDB se declara de oposição e já inicia corrida para 2022

ELEIÇÕES Decisão deve interferir em votações no Congresso Nacional e indica que os tucanos terão um candidato à Presidência


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Lideranças do PSDB em todo Brasil se unem para pressionar a favor do impeachment de Jair Bolsonaro
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O diretório nacional do PSDB informou, na noite nesta quarta-feira (8), que passará a fazer parte da oposição ao governo Jair Bolsonaro e iniciou a abertura de discussões internas sobre um possível processo de impeachment contra o presidente da República.

As decisões foram tomadas em reunião convocada pelo presidente do partido, o ex-deputado Bruno Araújo, após as falas de Bolsonaro nos atos do dia 7 de setembro. A posição do partido ainda está um passo atrás de pré-candidatos da legenda à Presidência da República, que defenderam um processo de impedimento.

O governador de São Paulo, João Doria, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto se manifestaram pelo prosseguimento do impeachment. Pelas redes sociais, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, disse que "está ficando claro que é um erro mantê-lo" no Palácio do Planalto.

A direção do PSDB não dá prazo para definir uma posição a respeito do impeachment. "Registramos que, após o pronunciamento inaceitável do chefe do Poder Executivo, na data de ontem, iniciamos hoje o processo interno de discussão sobre a prática de crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da República", escreve a nota da legenda.

Presidente do PSDB-Jundiaí, o advogado Fernando de Souza disse que o partido já vinha se posicionando contra Bolsonaro na prática e agora houve apenas a formalização. "O PSDB segue fiel a seu estatuto e considera que o presidente Jair Bolsonaro não respeitou o estado democrático de direito nem os princípios da social democracia no seu discurso de 7 de setembro. A nível municipal pouco muda, o impacto maior será nas votações do Congresso Nacional", comenta.

Coordenador regional do PSDB e vice-prefeito de Itupeva, Alexandre Mustafa afirma que é hora de trabalhar para a população e que um país rachado não conseguirá avançar e de desenvolver.

"É fundamental nosso apoio integral e incondicional à democracia e à liberdade. Com respeito às instituições, ao processo democrático, mas com resultados efetivos e com foco nas pessoas e não apenas na política.

O PSDB como oposição vai dar sua cota de contribuição para a construção do Brasil, num momento de pandemia e de grave crise econômica. Precisamos focar nas pessoas, na geração de emprego, na qualidade de vida, na retomada da economia", aponta.

Para o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), líder do partido no Senado e membro da Executiva, a decisão foi importante para esclarecer ao eleitorado que os tucanos não irão referendar os arroubos autoritários de Bolsonaro, mas, ao mesmo tempo, não votarão contra pautas que podem contribuir para que o país supere a crise econômica. "Como o PSDB vota a favor de muitos projetos de interesse do país, a população acaba confundindo, as pessoas acham que, por votar favoravelmente em determinados temas, o partido é base do governo. O que não é verdade. Não é oposição ao Brasil, mas ao governo que aí está. De fato, houve muito exagero, o presidente Bolsonaro abusou, partiu para um posicionamento mais radical, em um momento em que a maior preocupação do povo é saber como o governo vai resolver as questões urgentes", afirmou.


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