Política

Bolsonaro rebate pressão e diz que carta foi estratégica

Pronunciamento A carta emitida na quinta-feira, com a ajuda de Temer, pelo presidente dividiu opiniões entre seus apoiadores


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Bolsonaro e Temer se encontraram em Brasília nesta quinta-feira para montar o pronunciamento do presidente
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Em meio a uma série de críticas de apoiadores por causa da divulgação da nota de um dia antes em que busca esfriar os ataques ao STF, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (10) que não recuou de nada e que jamais cometeu um erro.

Bolsonaro afirmou ainda que há cobranças para reações imediatas, "que vá lá e degole todo mundo", e defendeu mudanças graduais no Brasil. O presidente está sendo questionado por ter aliviado o discurso golpista, ainda que provisoriamente, e ter pedido a desmobilização de manifestações de caminhoneiros que bloqueiam estradas.

"Alguns querem que vá lá e degole todo mundo. Hoje em dia não existe país isolado, todo mundo está integrado ao mundo", disse o presidente nesta sexta-feira (10) a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. A declaração foi divulgada por canal bolsonarista no Youtube.

Questionado por um apoiador se o "acordo" para aliviar os ataques inclui a soltura do deputado preso Daniel Silveira (PSL-RJ), o presidente disse que não pode entrar em detalhes sobre as conversas que levaram à elaboração da nota. "Tem coisas que não posso falar com você. Tem certas coisas que você confia ou não confia", disse o presidente. "Posso um dia errar. Até o momento não errei", completou.

Ainda em frente ao Alvorada, outro apoiador pediu ao presidente para trocar o "povo da toga". "[Quem for eleito presidente em 2022] tem duas vagas [no STF] para início de 2023. Há certos povos que esperam 100 anos para atingir seu objetivo. Tem uns que querem em um dia. Está indo devagar, está indo", disse.

O presidente também declarou que os caminhoneiros devem manter manifestações até domingo (12). "As consequências de uma paralisação são gravíssimas para todo mundo. Você quando quer, por exemplo, matar berne e mata a vaca. Até domingo, se o pessoal ficar parado, vai sentir, vai ter reflexo, mas se passar disso, complica a economia do Brasil", afirmou Bolsonaro.

"Ninguém está recuando. Não pode ir pro tudo ou nada. Arrumar o Brasil devagar. Vai arrumando", completou.

Reações

Mesmo entre parlamentares bolsonaristas a Declaração à Nação não pegou bem. Mais contida, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) disse que ficou "frustrada", mas que tem certeza que "o tempo dirá que o presidente estava certo". Já Otoni de Paula (PSL-RJ), um dos maiores insufladores dos atos do 7 de Setembro e que exatamente por isso está sendo investigado por atos antidemocráticos, mostrou toda sua ira em um discurso na Câmara.

"O povo foi para a rua gritar. E infelizmente os conselheiros do presidente o tornaram pequeno. Leão que não ruge vira gatinho. Lamento presidente, o senhor ficou pequeno", criticou Otoni.

Em suas redes, os filhos do presidente Eduardo e Flávio, deputado e senador, tentaram vender a ideia de que "o capitão sabe o que faz". O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, um dos principais auxiliares de Bolsonaro, usou suas redes sociais na mesma linha. "No passado, vimos muitos virarem as costas para Jair Bolsonaro em defesa de supostos "heróis". O tempo trouxe a verdade! Tenham paciência, pois, mais uma vez, o tempo irá consolidar a verdade!", escreveu.


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