Política

Fracasso dos atos da 'terceira via' vira motivo de chacota

12 de setembro Convocada por movimentos políticos como o MBL, as manifestações não tiveram a adesão e o efeito esperado


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Em São Paulo, a avenida Paulista foi um dos focos de protestos, que teve baixa adesão nas capitais pelo Brasil
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Palco tradicional de manifestações populares em Brasília, a Esplanada dos Ministérios ficou praticamente vazia no último domingo (12), quando foram marcados protestos contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Uma situação contrastante daquele verificada no 7 de setembro, quando um público situado entre 300 mil e 500 mil pessoas esteve no mesmo local para manifestara apoio ao chefe de governo brasileiro.

O mesmo quadro de fracasso pôde ser constatado em todas as quinze capitais, segundo os organizadores, onde o ato foi realizado. a baixa adesão fez proliferar nas redes sociais memes ironizando a ausência de pessoas nas ruas, estabelecendo comparações com os atos de Sete de Setembro. Um deles recomendava que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mendetta poderia aparecer na avenida Paulista, onde a manifestação respeitava o isolamento.

Em São Paulo, a Polícia Militar foi até gentil com os organizadores, estimando em 6 mil o total de pessoas que apareceram na avenida Paulista no domingo, mas as imagens do local não sugerem tanta gente, muito pelo contrário.

Viralizaram vídeos de gozação. No Rio De Janeiro, por exemplo, um homem aparece em videoself correndo na avenida Atlântica, em Copacabana, espaço tradicional dos protestos, e avisa que "tentaria passar" no meio do protesto, mas as imagens mostravam algumas poucas dezenas de pessoas em torno de um carro de som.

Falta de União

Enquanto lideranças de PCdoB, PSB e PDT, incluindo o pré-candidato Ciro Gomes, marcaram presença no ato após o convite do MBL, o maior partido da esquerda, o PT, e organizações próximas a sigla, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), descartaram participar.

Um dos principais nomes do MBL, o deputado estadual Arthur do Val (Patriota-SP), o 'Mamãe Falei', que fez campanha eleitoral dizendo ser totalmente contrário à esquerda, se pronunciou dias antes da manifestação para dizer que partidos como o PT seriam bem-vindos, mas a fala não convenceu a sigla.

O resultado foi um ato que demonstrou as fragilidades e, principalmente, a falta de união dos grupos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro.

As articulações em torno dos protestos deste domingo começaram em paralelo à organização das manifestações de 7 de Setembro, que foram a favor de Bolsonaro e endossadas pelo presidente.

Os protestos foram organizados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelos grupos Vem Pra Rua e Livres. A articulação atraiu o apoio de políticos de direita, de centro e de esquerda, mas dividiu a oposição.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e outras legendas de esquerda não aderiram aos protestos deste domingo e já organizam outros atos contra o governo. A direção do PT anunciou uma manifestação contra Bolsonaro para 2 de outubro.

Em Brasília, o ato teve a participação de apenas 100 pessoas aproximadamente, que se concentraram próximas à Biblioteca Nacional. O grupo carregava faixas de apoio ao impeachment e com cobranças para o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), analisar um dos pedidos protocolados contra Bolsonaro.


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