Política

Líderes do MBL dizem que atos foram sucesso e que tendem a rejeitar manifestação com PT


Divulgação/MBL
Atos no dia 12 de setembro - Foto Rio de Janeiro
Crédito: Divulgação/MBL

As lideranças do MBL (Movimento Brasil Livre) discordam da avaliação que tem sido feita de que as manifestações contra Jair Bolsonaro realizadas neste domingo (12) teriam sido um fracasso por não terem atraído tanta gente quanto os atos mais recentes da oposição e pró-governo.

Para eles, o fato de ter sido um ato mobilizado por um grupo que não ocupa a cadeira presidencial e que foi capaz de reunir representantes de vertentes políticas diversas torna possível dizer que ele foi um sucesso.

"Foi histórico. Tenho a honra de dizer que nosso palco juntou tanta gente, de tantas bandeiras, cores, em defesa do direito de pensar diferente mesmo, em prol da democracia. Achei muito bom", diz o deputado Arthur do Val (Patriota), o Mamãe Falei.

"Foi positivo, superou as nossas expectativas. A gente não tinha intuito de fazer ato para comparar com o 7 de Setembro. A gente queria marcar posição, 'startar' [começar] a discussão de uma frente ampla e supraideológica pelo impeachment", diz Rubens Nunes (PSL-SP), vereador em São Paulo.

"Tinha gente de centrais sindicais, militâncias de MBL, Novo, PDT, todos agindo de maneira democrática e republicana. Foi melhor do que o que os mais otimistas esperavam. A população entendeu que se não abaixarmos as armas da guerra ideológica para lutar com o inimigo em comum talvez a gente não tenha a possibilidade de discordar no futuro", acrescenta Nunes.

"Querem diminuir o ato, o que é muito triste, porque só duas forças foram contra os atos de ontem: o Bolsonaro e o PT, que se retroalimentam", completa Arthur do Val. "Foi uma vitória das pessoas que demandam realmente um discurso sensato e querem ser democratas (...) Foi lindo, foi maravilhoso, não tínhamos nada do tipo desde as Diretas Já".

Os membros do MBL dizem que ainda não discutiram a possibilidade de aderir às mobilizações que a oposição está organizando para outubro.

Mas veem poucas chances de dialogar com o PT, que foi pressionado por movimentos de esquerda a participar do ato deste domingo (12), mas recusou.

"O que ficou claro para nós é que para o PT não é interessante o impeachment do Bolsonaro. A preocupação deles é fazer uma falsa oposição, manter o Bolsonaro até o final de 2022 e fomentar o projeto deles de Lula presidenciável, que precisa antagonizar com uma figura tão estúpida quanto o Bolsonaro. A gente sabia que o PT não iria participar. Estão preocupados com cálculo eleitoral, e não com democracia", avalia o vereador.

"Enquanto o PT continuar com essa oposição de fachada, qualquer diálogo que a gente inicie com eles vai ser vazio. Eles têm um projeto partidário, pessoal, de colocar o Lula na Presidência. Não vejo como uma conversa mudaria esse cenário", diz Nunes.

Arthur do Val diz pensar de maneira similar.

"O PT, como sempre, quer ser hegemônico dentro do campo dele, não aceita nem pluralidade de ideias dentro da esquerda, muito menos fora. Acho muito, muito difícil que haja atos com o PT, que também é um partido antidemocrático", argumenta.

"Eu, pessoalmente, acho que não há muito o que conversar com o PT. O PT tem o interesse eleitoral velado de manter o Bolsonaro no poder. Todo mundo sabe disso. Os braços do PT tentam disfarçar, mas não estão lutando contra Bolsonaro", conclui.


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