Política

Ausência de nome forte leva à união entre partidos para 3ª via

ELEIÇÕES 2022 Atos esvaziados de 12 de setembro ligaram um alerta sobre a falta de força de eleitores e partidos que não apoiam Lula nem Bolsonaro


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Esvaziados, os protestos do dia 12 de setembro mostraram que nenhum nome da terceira via empolga aqueles que não quererm Lula nem Bolsonaro
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Na ausência de uma candidatura consolidada a cerca de um ano da eleição presidencial, os atos esvaziados no último domingo (12) reforçaram urgência para os partidos e políticos que pretendem desafiar a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O embate interno para a chegada a uma terceira via ainda terá muitos capítulos nos próximos meses, com boa probabilidade de chegar à eleição sem a convergência em torno de um nome, mas as disputas nas siglas e a tentativa de conciliação entre alguns postulantes já começam a ficar mais fortes.

Mesmo como início de importantes movimentações, o ex-prefeito jundiaiense Miguel Haddad diz que ainda é cedo para pensar nas eleições do ano que vem. "No PSDB teremos as prévias para definir os pré-candidatos à eleição de 2022 e também discutiremos as propostas de governo. Passadas essas etapas, já nos meses que antecedem a eleição, teremos um cenário mais claro sobre a possibilidade da união dos partidos para formar uma terceira via", relata

Também é importante lembrar que o eleitor que clama pela terceira via, fora da órbita de Bolsonaro e Lula, não é um militante caloroso. Trata-se, em sua maioria, dos indivíduos atualmente insatisfeitos com os rumos do governo, mas também contrários à volta do PT ao poder, e que por isso não vê grandes estímulos para sair de casa e lotar a avenida Paulista ou a Esplanada dos Ministérios.

Aproximações a nível nacional entre partidos fortes como PSDB, DEM e PSD têm esbarrado em conflitos internos e incompatibilidades nos estados. Com alianças ainda em fase experimental, muitas vezes na base do erro e acerto, vem partindo de pré-candidatos - e não das siglas - o gestos mais explícitos sobre uma aliança.

Já nesta semana, o presidente nacional do DEM, ACM Neto, externou a possibilidade de uma junção com o PSL, formando um "superpartido" que uniria nomes fortes e até ex-bolsonaristas em uma chapa completa para 2022.

Por parte de PDT, o vice-presidente estadual do partido, Gerson Sartori, afirma que a única certeza é que Ciro Gomes será candidato novamente. "O PDT está apresentando uma proposta clara que é o PND (Plano Nacional de Densevolvimento) e tem conversado muito com PSB, Rede, PV e com outros partidos principalmente em estados que governamos juntos. Hoje, a única certeza é que lançaremos o Ciro para presidência e vamos buscar apoios que concordem ou acrescente positivamente o nosso projeto que foi construído com muitas cabeças e que estamos melhorando dia a dia", comenta.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) e o pedetista Ciro Gomes têm trocado declarações em torno da disposição de estarem no mesmo palanque, mas a costura ainda depende da definição do quadro partidário. João Doria (PSDB) e o ex-juiz Sergio Moro também poderão ser parte de algo maior visando uma relevância política que ainda está apenas engatinhando quando comparada a Lula e Bolsonaro.

Se os tucanos e o PSD de Gilberto Kassab ainda não consideram abrir mão da candidatura presidencial, isso poderia não ser um problema para o DEM, cujos principais nomes têm interesses "apenas" nas disputas para governador e senador. As conversas para uma aliança, contudo, não apontam para uma convergência com o PDT de Ciro Gomes - de esquerda -, mas para uma possível fusão com o PSL, dono de uma das maiores e mais atrativas fatias do fundo eleitoral.

Segundo Márcio Coimbra, cientista político e coordenador de Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a baixa adesão do público ao ato do dia 12 tem inúmeras explicações, entretanto, não é possível dissociar-se do fato de que sem um líder, um nome que represente o grupo, os votos da chamada terceira-via serão pulverizados por diversos candidatos, fortalecendo o duelo entre Lula e Bolsonaro.

"Aquilo que vimos no dia sete foi o ápice do bolsonarismo em estado puro, impulsionado em larga medida pelo governo e especialmente pela porcentagem da população que votaria novamente no presidente em qualquer circunstância. Este é um voto fiel e, assim como o petismo, está disposto a ir para ruas para defender suas bandeiras. As manifestações em prol de Bolsonaro foram basicamente alavancadas por esta lógica", comenta.


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