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Sem citar Bolsonaro, Pacheco afirma que tem faltado respeito nas relações entre os Poderes


Fabio Rodrigues PozzebomAgência Brasil
Sem citar Bolsonaro, Pacheco afirma que tem faltado respeito nas relações entre os Poderes
Crédito: Fabio Rodrigues PozzebomAgência Brasil

Sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que tem "faltado respeito" entre os poderes e citou como exemplo o uso de redes sociais para discutir questões que deveriam ser abordadas "em alto nível".

Pacheco também criticou indiretamente a atuação do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus, afirmando que a doença nunca deveria ter sido "menosprezada" e sim deveria ter sido "enfrentada desde o início".

As críticas do presidente do Senado e do Congresso Nacional foram feitas durante sua fala na abertura da convenção da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), no início da tarde de segunda-feira (20).

Pacheco defendeu quatro conceitos importantes para o Brasil nesse momento: união nacional, respeito, responsabilidade fiscal e otimismo.

Ao tratar especificamente de "respeito", Pacheco afirmou que tem faltado respeito entre as instituições e poderes. Não citou o presidente Jair Bolsonaro, mas alegou que um dos problemas é o uso das redes sociais para criar instabilidade.

Bolsonaro é o único chefe de poder no Brasil que usa suas contas em redes sociais para atacar outros poderes, chegando a usar esse meio para anunciar que pediria o impeachment de dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

"O segundo conceito importante é o do respeito. Eu considero que tem faltado respeito ao país, especialmente nas relações institucionais, nas relações entre os poderes, permitindo-se inclusive discutir essas relações através de redes sociais ou coisa que o valha, quando isso deveria estar sendo discutido em alto nível", afirmou.

Pacheco também afirmou que a união nacional é importante para "descortinar um rumo diferente para o Brasil", após o enfrentamento da pandemia. Complementou que isso não significa a "aceitação de tudo o que há" ou uma convergência absoluta de propostas.

Pacheco também afirmou que os brasileiros precisam ser otimistas, repetindo uma frase que vem adotando, de que é preciso combater o negacionismo e o negativismo. No entanto, afirmou que existe uma condição para a instauração desse clima de otimismo, que é dentro do Estado democrático de direito e da democracia. Novamente sem citar Bolsonaro, citou a necessidade de combater retrocessos.

"Nenhum retrocesso ao estado de direito, nenhum retrocesso à democracia. Eu tenho absoluta convicção que ninguém assimilará ideia que imponha algum tipo de retrocesso nesses dois conceitos de estado de direito e de democracia no nosso país", afirmou.

Cotado como candidato a presidente nas próximas eleições presidenciais, em 2022, Pacheco propôs que temas eleitorais sejam discutidos apenas no ano eleitoral e pediu cooperação para o momento atual.

Nesse momento, afirmou que o Congresso nunca vai ser subserviente ao governo federal ou a qualquer outro poder.

"Temos que cooperar entre nós agentes políticos e partidos políticos, independente de partidos políticos, independente de ideologias, o que não significa que jamais seremos subservientes ao governo federal, jamais estaremos subjulgados ao poder judiciário", afirmou.

Em outro momento de divergência com o governo, Pacheco afirmou que a pandemia não deveria ter sido menosprezada. A fala aconteceu no momento em que lembrou dos três senadores que morreram em decorrência da covid-19.

"Senador Arolde de Oliveira, senador José Maranhão e senador Major Olimpio, infelizmente, sucumbiram essa doença maldita, que nunca poderia ter sido menosprezada ou menoscabada , mas devia ter sido enfrentada desde o início", completou.


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