Política

Partidos da terceira via veem Leite mais agregador que Doria

Na opinião desses políticos, Leite é mais afeito ao diálogo e menos comprometido com um projeto pessoal de poder


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Doria tem hoje rejeição de políticos que constroem a terceira via
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A resistência ao governador João Doria (PSDB-SP), já detectada entre parte dos tucanos, extrapolou a esfera partidária e chegou a dirigentes de partidos da chamada terceira via que dizem preferir a vitória do governador Eduardo Leite (PSDB-RS) nas prévias presidenciais do PSDB.

Na opinião desses políticos, Leite é mais afeito ao diálogo e menos comprometido com um projeto pessoal de poder - características necessárias à união dos partidos em torno de um só nome.

A convergência é estratégia da centro-direita para se viabilizar em meio à polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido), que lideram as pesquisas sobre 2022.

O prestígio a Leite, no entanto, não deve ter influência significativa na votação interna do PSDB de acordo com tucanos e entusiastas da terceira via ouvidos pela reportagem.

Atualmente, segundo membros do partido, a disputa está acirrada e tem um desfecho imprevisível - tanto Doria quanto Leite projetam sua vitória no primeiro turno, em 21 de novembro.

Na tentativa de ganhar apoios dentro e fora do PSDB, os governadores vêm reafirmando seu compromisso com a unidade da terceira via, acima de vaidades. Ao mesmo tempo, ambos negaram recentemente a possibilidade de abrir mão da candidatura para compor uma chapa como candidatos a vice-presidente.

Entre líderes e presidenciáveis dos partidos União Brasil (fusão de DEM e PSL), PSD, MDB e também do PSDB, a leitura é a de que a mesa de negociação exige desprendimento - apoiar para ser apoiado, o que passaria por renunciar à cabeça de chapa.

Abril de 2022 é um mês mencionado entre eles como um prazo para tal entendimento. Até lá, diversos nomes são testados além de Doria e Leite, como Rodrigo Pacheco (União Brasil), Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), José Luiz Datena (União Brasil), Simone Tebet (MDB), Alessandro Vieira (Cidadania) e Sergio Moro (sem partido).

O próprio presidente do PSDB, Bruno Araújo, acena a outras siglas quando afirma que os tucanos, por meio das prévias, estão escolhendo um nome para representar a legenda nessa construção conjunta.

Na prática, porém, caciques tucanos minimizam a polêmica a respeito de elaborar prévias e, ao final, ceder a candidatura. Isso porque, se Leite for vencedor, acreditam que ele pode ter melhores condições de liderar e representar a terceira via, uma vez legitimado pela votação interna.

Se Doria for o vencedor, a candidatura do PSDB também estaria garantida, dada a crença entre políticos de que ele levaria seu nome até o fim, mesmo sem concentrar apoios de aliados. Além disso, os dois tucanos já aparecem numericamente à frente de outros nomes da terceira via em pesquisas.

Ao desistir das prévias para apoiar Leite, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) declarou à reportagem ser possível que o PSDB abra mão da cabeça de chapa e, ao ser questionado sobre a chance de Leite ser vice, afirmou que o governador "estaria disposto a qualquer tipo de abertura".

"O nome do Leite é muito mais fácil de ser conversado com outros partidos hoje do que o do governador de São Paulo", acrescentou. (FP)

 


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