Política

Smart cities enfrentam falta de infraestrutura e integração

CIDADES INTELIGENTES Sem infraestrutura básica, municípios têm dificuldade em integrar ações sociais e sustentáveis para todo o território urbano


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Carlos Frees cita os diagnósticos que cada município deve realizar
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O conceito de smart cities no Brasil esbarra ainda na incipiente falta de infraestrutura e aqui não falamos de infovias, mas de serviços básicos, como água, esgoto e energia elétrica. Mesmo em cidades ricas, como Jundiaí, sétimo PIB (Produto Interno Bruto) do Estado de São Paulo, a cidade digital tem de crescer paulatinamente, por conta de avanços que acontecem em quadrantes e não atingem a cidade como um todo.

Segundo Carlos Venicius Frees , vice-presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis (IBRACHICS), a aplicação do conceito de Smart Cities em cada município depende muito da rotação populacional e da modernização da infraestrutura de cada local.

"O tamanho também conta bastante. Em municípios de grande porte, como Jundiaí, o transporte é um ponto importante. Segurança e eficiência de serviços públicos como o lazer, saúde e educação também têm relevância e todos devem ser analisados", comenta.

Segundo ele, a análise passa por um conjunto de variáveis que estão sempre sendo mensuradas e que atendem as circunstâncias de cada município. "Muitas cidades não têm condições de fazer um diagnóstico, mas já começam a fazer projetos como de iluminação pública com LEDs, por exemplo, e já se consideram inteligentes, mas ainda não são. É necessário uma melhora efetiva no lado humano, social e sustentável, não apenas tecnológico", alerta.

Frees explica ainda que o diagnóstico é feito através de três etapas, baseadas em três normas oficiais, que identificam os fatores positivos e negativos de cada município, apontando o que deve ser melhorado

A primeira delas é a ISO 37120, que analisa o desenvolvimento sustentável de comunidades através de indicadores de serviços municipais e qualidade de vida.

A segunda é a ISO 37122, que avalia as performances em áreas de eficiência de serviços municipais ou a qualidade de vida que a cidade oferece aos cidadãos com base em inteligência e integração tecnológica.

E a terceira, a ISO 32123, trata da resiliência, ou seja, da capacidade que cada município tem de superar seus desafios e deficiências.

Para o vice-presidente de Smart Infrastructure da Siemens, Sergio Jacobsen, o Brasil não pode se espelhar em cidades da Europa como exemplos de smart cities. "Nós temos problemas diferentes, ainda desperdiçamos água e energia, temos carência de esgoto e entendo que a tecnologia tem que resolver problemas reais da cidade."

Sergio enumera algumas soluções, como a automação dos piscinões de São Paulo, a iluminação pública com LED, diminuindo a violência e até mesmo a chegada do 5G no Brasil. "Ficaremos menos dependente da fibra ótica, mas será que as operadoras irão levar serviços para os consumidores que não conseguem pagar?", questiona. A diminuição de CO2 é outra preocupação. "Cidades como Jundiaí têm condições de investir em transporte elétrico, que é um modelo de concessão mais durável e ambientalmente responsável. Se você me perguntar se o transporte elétrico beneficia a todos eu digo que sim, porque a população terá um transporte mais confortável, sem aspirar fumaça diariamente e suas consequências para a saúde."

EXPERIÊNCIA PÚBLICA

O gestor de Finanças de Governo de Jundiaí, José Antonio Parimoschi, afirma que a infraestrutura é condição sine qua non para a transformação em uma cidade inteligente, mas acredita o impacto vem na melhoria de serviços para o dia a dia do cidadão.

"Temos que investir em infraestrutura e a tecnologia nos ajuda nisso, como sistemas de telemetria para o controle de perdas, no sistema de abastecimento, por exemplo, mas a melhoria no serviço prestado é sentida diretamente pelo cidadão."

Parimoschi afirma que uso de câmeras, GPS nos ônibus e até mesmo a troca de lâmpadas comuns por LED auxiliam em macro situações, como a segurança. "Estamos em processo de licitação de uma PPP (parceria público-privada) em que 47 mil pontos terão postes inteligentes, com lâmpadas LED e câmeras que poderão monitorar o controle de estacionamento e a segurança das ruas e avenidas."

Com um governo digital já implantado, com serviços através de aplicativos, o gestor salienta que a smart city chega por quadrantes e temas. "É impossível implantar um projeto em sua totalidade. Nós estamos realizando por setores (saúde, educação, segurança...) e territorialidade, agora chegando ao bairro do Eloy Chaves e Santa Gertrudes", afirma.


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