Política

Municípios seguem pagando a maior fatia dos gastos com saúde

ATENDIMENTOS A pandemia fez aumentar os repasses estaduais e federais, mas não o suficiente para aliviar os gastos municipais com hospitais e UBSs


Divulgação
Prefeitura segue mantendo o Hospital São Vicente com seus recursos
Crédito: Divulgação

Desde março de 2020, a pandemia tem mudado a gestão da Saúde em todo o país e obrigado os governos estaduais e federal a darem maior suporte aos municípios com relação aos gastos em hospitais, UBSs (Unidades Básicas de Saúde), leitos de UTI e demais aparelhos da pasta.

No entanto, estudo levantado pelo Jornal de Jundiaí nas cidades do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) mostra que os governos municipais ainda são os responsáveis por bancarem as maiores fatias dos gastos com a saúde, mesmo com o aumento dos repasses do estado e da União.

Em Jundiaí, a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) informa que gastou em ações de saúde pública, entre janeiro e agosto deste ano, 11,51% a mais do que no mesmo período de 2020. Com recursos próprios, o acréscimo foi de 12,18% e, com recursos federal e estadual, 9,67%.

Foram gastos o total de R$ 435,3 milhões, sendo R$ 320,6 milhões em recursos próprios e R$ 114,6 milhões de recurso federal e estadual.

Entre os principais gastos deste ano estão a manutenção de leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19, manutenção de unidades-sentinelas para atendimento de pacientes com sintomas de síndrome gripal, garantia de EPIs (equipamentos de proteção individual) para os servidores da saúde, estrutura de pessoal e insumos para a maior campanha de vacinação realizada no âmbito do SUS e ações de testagem em monitoramento em todos os pacientes suspeitos de covid.

A UGPS observa que o grande desafio, neste momento, é diminuir a demanda reprimida para outras doenças e cuidar das pessoas com sequelas de coronavírus.

Várzea Paulista

A Unidade Gestora de Saúde de Várzea Paulista informa que já fez a prestação de contas de gastos do primeiro quadrimestre de 2021. "Em 2021, a pasta manteve a média de gastos em caráter obrigatório, atendendo aos índices, com foco no combate à pandemia de covid-19 e na imunização da população contra a doença, sem desassistir os demais casos que nunca pararam", afirma a Prefeitura.

Entre janeiro e abril deste ano, Várzea Paulista teve um gasto total de R$ 19,3 milhões. Destes, R$ 13,6 milhões são de recursos próprios, R$ 4,9 milhões de repasses do governo federal e apenas R$ 776 mil vindos do governo do estado de São Paulo.

Campo Limpo Paulista

Os valores repassados pelo estado e pela união para gastos em saúde até o primeiro semestre de 2021 representaram respectivamente o montante de R$ 2,1 milhões R$ 6,2 milhões. Por outro lado, os investimentos em saúde com recursos próprios municipais registraram a quantia de R$ 23,2 milhões.

"Especificamente em relação ao recursos próprios, houve um aumento no primeiro semestre de 2021 na ordem de 17,38% comparado com o mesmo período do exercício anterior", relata a prefeitura.

Cabreúva

Os dados mais atualizados de Cabreúva são do período entre maio e agosto deste ano, e mostram que, nestes quatro meses, foram investidos R$ 17,5 milhões em verbas próprias, R$ 2,2 milhões em repasses estaduais e R$ 3 milhões enviados pelo governo federal, totalizando R$ 22,7 milhões destinados à Saúde.

Deste valor, no entanto, apenas R$ 1,7 milhão foi direcionado exclusivamente ao combate à covid-19.

Itupeva

Em Itupeva, o cenário é um pouco diferente. A Secretaria de Saúde detalha que, nos primeiros seis meses de 2021, foram gastos R$ 6,9 milhões de recursos federais, R$ 1,45 milhão de recursos estaduais e R$57,6 mil de recursos próprios.

"Em 2020 registramos R$ 80 milhões gastos pela Saúde. Em 2021, até outubro, são R$ 66 milhões. A Prefeitura informa que aplica mais quase 23% na Secretaria de Saúde, mais do que o determinado pelo Ministério Público."

Durante a pandemia, os recursos foram destinados em grande maioria para o coronavírus, mas o município não deixou de prestar o atendimento da população, com a compra de exames, por exemplo. Com a diminuição dos índices de internação e o avanço da vacinação, a Secretaria de Saúde voltará a atenção para outras doenças.

Louveira e Jarinu não responderam a demanda do Jornal de Jundiaí.

 


Notícias relevantes: