Política

Privatização da Petrobras entra no radar do Presidente Jair Bolsonaro

Bolsonaro afirmou que a privatização da Petrobras "entrou no radar" do governo


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A Petrobras tem anunciado constantes aumentos no preço dos combustíveis e desagradado os consumidores
Crédito: DIVULGAÇÃO

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem, em entrevista, que a privatização da Petrobras "entrou no radar" do governo, retomando um assunto que lançou há cerca de dez dias. Na ocasião, Bolsonaro disse que tinha vontade de privatizar a estatal e conversaria com a equipe econômica sobre o assunto. Segundo Bolsonaro, porém, o processo de privatização é uma "complicação enorme", em uma indicação de que não deve levar adiante o projeto na reta final de seu mandato.

"Quando se fala em privatizar Petrobras... Isso entrou no nosso radar. Mas privatizar qualquer empresa não é como alguns pensam, que é pegar a empresa botar na prateleira e amanhã quem der mais leva embora. É uma complicação enorme. Ainda mais quando se fala em combustível. Se você tirar do monopólio do Estado, que existe, e botar no monopólio de uma pessoa particular, fica a mesma coisa ou talvez até pior", disse Bolsonaro.

O governo admitiu que a operação "entrou no radar", mas que é de difícil implementação.O plano em análise é elaborar um projeto de lei que permita à União começar a se desfazer das ações da companhia de forma a perder o controle.

O governo manteria, no entanto, a chamada "golden share", que o permitiria vetar determinadas operações da petroleira e ainda apontar o presidente da empresa. Hoje, o governo federal tem o controle por meio de 50,5% das ações ordinárias, que são as ações com direito a voto.

Considerando o capital total da empresa (ações ordinárias e preferenciais), o grupo de controle é composto por ações do governo e do BNDES que juntos detém 36,75% dos papéis.

A equipe econômica defende que a Petrobras passe para o Novo Mercado, acabando com a diferença entre ações ordinárias e preferenciais. Na avaliação da equipe de Paulo Guedes isso já elevaria o valor dos papéis, valorizando a empresa.

O governo então começaria a venda de ações pelos papéis que hoje são detidos pelo BNDES e pelo BNDESPAR. O objetivo seria transformar a Petrobras numa "corporation", com capital pulverizado, como o pretendido para a Eletrobras. Uma diferença é que, no caso da petroleira, somente a União poderia deter mais do que 10% das ações.

O presidente levanta a possibilidade de privatização da petroleira em um momento de aumento dos combustíveis. O tema estava entre os planos iniciais do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas não tinha sido analisado por Bolsonaro até agora. A Petrobras tem sido alvo de discussão política à medida que os custos de energia ajudaram a levar a inflação ao consumidor no país a dois dígitos, prejudicando a popularidade do Bolsonaro antes da eleição presidencial do próximo ano.

Bolsonaro já se opôs anteriormente à privatização da Petrobras, por considerar a empresa "estratégica" para os interesses nacionais do Brasil. No entanto, mesmo com seu apoio, alguns participantes do mercado acreditam que um processo de privatização seria difícil, já que precisa haver mudança na legislação a ser aprovada pelo Congresso Nacional.

 


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