Política

Aras recebe relatório e vai prosseguir com investigações

CPI DA COVID Na versão final, 80 pessoas foram indiciadas e agora cabe à PGR analisar todas as denúncias feitas pelo relator


Jefferson Rudy
CPI da Covid entregou ontem (27) o relatório final ao PGR Augusto Aras, que dará procedimento às investigações
Crédito: Jefferson Rudy

O procurador geral da República, Augusto Aras, afirmou nesta quarta-feira (27) que o relatório da CPI da Covid aprovado no Senado tem informações novas e permitirá um avanço em investigações sobre condutas criminosas de autoridades com foro especial durante a pandemia.

A posição de Aras foi manifestada durante encontro com integrantes da CPI que foram até a sede da PGR (Procuradoria-Geral da República) para entregar o relatório final da comissão, aprovado na noite de terça-feira (26).

Senadores temem arquivamentos automáticos por parte de Aras ou uma letargia na análise das acusações, diante do histórico do procurador-geral e de seus assessores na blindagem ao presidente Jair Bolsonaro e ao governo.

Aras, porém, disse que as investigações da CPI já produziram resultados, com denúncias, autoridades afastadas e investigações em andamento. Em um vídeo divulgado pela PGR, o procurador-geral afirmou que haverá um bom trabalho.

"Graças ao trabalho da CPI, nós já temos várias investigações em curso, ações de improbidade, denúncias já ajuizadas, afastamento de autoridades estaduais e municipais", disse.

Aras falou em 'agilidade necessária' com a chegada do material referente às autoridades com prerrogativa de foro. A PGR dará a "qualificação jurídica que por ventura possamos encontrar e que seja civil, penalmente e administrativamente puníveis", segundo o procurador-geral.

"A CPI é um importante órgão de defesa da sociedade, do Estado, representando inclusive os direitos das minorias. Traz luzes", completou.

Após o encontro com Aras, os integrantes da CPI da Covid foram para a sede do STF (Supremo Tribunal Federal) para um encontro com o ministro Alexandre de Moraes. O ministro é o responsável pelo inquérito das fake news.

Os senadores entregaram cópia do relatório da CPI. Além disso, trataram de dois requerimentos que foram aprovados na sessão da comissão, que preveem a quebra de sigilo do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais e também do banimento do presidente das redes.

Os parlamentares também pedem que o Supremo exija uma retratação do chefe do Executivo sobre a fala em que associa a vacina contra a Covid-19 à Aids, sob pena de multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento.

Na noite de terça-feira, os senadores da CPI da Covid aprovaram relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que propõe o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro e outras 77 pessoas, além de duas empresas -a Precisa Medicamentos e a VTCLog. O documento propõe o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crime, entre eles o crime de epidemia resultado em morte, prevaricação e charlatanismo.

Os senadores do grupo majoritário da CPI da Covid, que controlaram as investigações durante os seis meses de funcionamento do colegiado, entregaram o relatório final a Aras na manhã desta quarta-feira. A entrega foi rápida, no gabinete de Aras na PGR. Os parlamentares entraram e saíram pela garagem, e seguiram direto ao STF.


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