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China faz exercício com munição real enquanto Taiwan recebe apoio europeu


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China faz exercício com munição real
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A China iniciou nesta quarta (3) uma rodada de exercícios militares com munição real no mar ao norte de Taiwan, aplicando pressão ao regime de Taipé no momento em que a ilha obtém o apoio mais explícito do Ocidente em décadas de disputa com Pequim.

A ação, que envolverá navios e aviões chineses durante uma semana no mar do Leste da China, visa pressionar não só Taiwan, mas o Japão, EUA e aliados ocidentais.

Nesta quarta, uma delegação inédita com sete deputados do Parlamento Europeu desembarcou para uma visita de três dias à ilha autônoma, que a ditadura comunista considera uma província rebelde a ser reincorporada à China.

"Estamos felizes de poder oferecer o apoio a nossos amigos", disse o líder do grupo, o francês Raphael Glucksmann, a repórteres no aeroporto. Eles irão se encontrar com políticos, empresários e com a presidente Tsai Ing-wen.

Ela já havia causado comoção no continente ao confirmar, pela primeira vez, que militares americanos estavam em solo taiwanês participando de exercícios com soldados locais. Além disso, a mídia da ilha confirmou que forças especiais de Taipei estão sendo treinados por fuzileiros navais americanos em Guam (possessão dos EUA no Pacífico).

Isso é um passo muito além dos usuais exercícios militares em águas que Pequim clama para si, como os ocorridos no fim de semana no mar do Sul da China com um porta-aviões americano e uma fragata japonesa.

Foi a nona vez no ano que os principais navios de ataque americanos se exercitam na região, segundo o instituto Iniciativa de Investigação de Situação Estratégica do Mar do Sul da China, da Universidade de Pequim.

O novo governo japonês, que assumiu no mês passado, acentuou a retórica belicista de seus antecessores e assumiu publicamente pela primeira vez que poderá ter de agir para conter a China em Taiwan.

O exercício no mar do Leste da China também mira o Japão, que tem ilhas com reservas petrolíferas na região que são disputadas por Pequim. Há duas semanas, chineses e russos fizeram manobras com o mesmo objetivo.

A tensão já vinha subindo exponencialmente neste ano, chegando ao paroxismo quando Pequim enviou 149 aviões ao longo de quatro dias no início de outubro para testar as defesas aéreas de Taiwan, a maior ação do tipo na história. Ao longo de todo mês, foram quase 200 aeronaves, metade de tudo o que havia sido empregado no ano todo.

Enquanto os taiwaneses tocam tambores de guerra, alertando que Pequim pode se sentir segura para invadir a ilha até 2025, especialistas no geral vêm riscos grandes para as forças comunistas –a começar pelo fato de que apenas 10% do litoral taiwanês é de fácil acesso, sendo assim fortemente defensável.

Seja como for, Taiwan é visto como um dos pontos mais nevrálgicos e passíveis de incidência de acidentes militares em toda a região. A Guerra Fria 2.0 entre EUA e China, que se estende da área política à comercial, tem ganhado contornos bélicos mais nítidos com a saída americana do Afeganistão e o reforço de alianças no Indo-Pacífico.

O rufar de tambores da guerra começou a reverberar no mundo das fake news. Na terça, o Exército de Libertação Popular da China teve de desmentir boatos que circularam nas redes sociais chinesas de que uma mobilização estava em curso.

Ao mesmo tempo, o Ministério do Comércio emitiu um alerta para que os moradores de algumas regiões estocassem alimentos não perecíveis, o que foi lido como um prenúncio de conflito.
Novamente, o governo teve de explicar que isso tinha a ver com algumas safras quebrando devido a mudanças climáticas.


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