Política

Defesa de Sergio Moro pede posicionamento da PGR

DEPOIMENTO Discussão sobre suposta interferência de Bolsonaro na PF e interesses de Moro voltou à pauta nos últimos dias


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Moro se filiará ao Podemos e indica que decidirá sobre eventual candidatura à Presidência da República
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A defesa de Sergio Moro protocolou um pedido no inquérito sobre a suposta interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal em que solicita manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o presidente ter sido ouvido sem a presença de procuradores e dos advogados do ex-ministro.

A PF interrogou Bolsonaro na noite de quarta-feira (3), no Palácio do Planalto, sobre a acusação de interferência política dele na instituição.

"Esperavam os signatários da presente serem comunicados da data de oitiva do segundo investigado - e assim também o fosse a própria PGR- mantendo-se o mesmo procedimento adotado quando do depoimento prestado pelo ex-Ministro Sérgio Fernando Moro, em homenagem à isonomia processual", diz o pedido.

Os advogados pedem no documento para registrar o "inconformismo" com a realização do depoimento sem a presença dos procuradores e da defesa e solicitam uma posição da PGR "sobre a regularidade do procedimento adotado, pela Polícia Federal, para a oitiva do senhor Presidente da República".

Propósito político

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (8) que o ex-ministro Sergio Moro "sempre teve um propósito político".

Moro deixou o governo em 2020, acusando o mandatário de tentar interferir na Polícia Federal. O ex-juiz da Lava Jato planeja se filiar ao Podemos na quarta (10) e sinalizou a aliados que pretende entrar na disputa pelo Palácio do Planalto.

"Você começa a entender um pouco mais as coisas, entender o que eu passei com o ministro Sergio Moro. Ele sempre teve um propósito político, nada contra, mas fazia aquilo de forma camuflada. E ele tinha intenção sim de ir ao Supremo [Tribunal Federal]. Num primeiro momento eu achei justa a intenção dele, depois eu passei a conhecê-lo um pouquinho melhor", disse Bolsonaro, durante entrevista à Jovem Pan.

A entrevista foi gravada no final de semana, durante visita de Bolsonaro ao Paraná, e transmitida na manhã desta segunda (8). "O que eu queria na Polícia Federal? Não é interferir nada, quero interlocução. O então diretor[-geral] da PF [Maurício Valeixo], que era do Paraná, nunca foi falar comigo para apresentar um diretor [regional]", declarou Bolsonaro.

Em outro trecho da entrevista, Bolsonaro argumentou que Moro não aceitou a determinação de trocar dois superintendentes da corporação. "Começaram os problemas. Eu nunca pedi para [o Moro] me blindar, eu sempre falei para ele: 'não deixe que me chantageiem'", afirmou.

Moro abandonou a 13ª Vara de Curitiba para assumir o Ministério da Justiça de Bolsonaro, logo após o segundo turno das eleições de 2018, com a promessa de que teria carta-branca na pasta. Depois de deixar a Esplanada, o principal revés do ex-juiz ocorreu em junho deste ano, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) o declarou parcial no julgamento de Lula no caso do tríplex.


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