Política

Candidatura de Moro assume o posto de terceira via para 2022

PODEMOS O ex-juiz citou a Lava Jato e o combate à corrupção como bandeiras de sua candidatura ao Planalto, além de críticas ao presidente Jair Bolsonaro


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Sergio Moro aceita o convite do Podemos e pode embaralhar o jogo eleitoral em 2022
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A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (10) mostra que a candidatura a presidente do ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro do governo Bolsonaro, Sergio Moro (Podemos), arrasa com as chances do PSDB e e de outros pré-candidatos da chamada terceira via, tira votos do presidente Jair Bolsonaro (que será do PL) e, indiretamente, favorece o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos dois cenários pesquisados, a entrada de Moro reduziu os pré-candidatos tucanos João Doria a 2% e o Eduardo Leite a 1%, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a 1%.Todas as pesquisas presidenciais até agora mostram que existe espaço para três ou no máximo quatro candidatos viáveis: Lula e Bolsonaro já asseguraram seu lugar. Ciro Gomes tem um público fiel. O último candidato deve vir da centro-direita e Moro largou na frente.

O professor de Ciência Política da UniAnchieta, Walter Celeste, afirma que falar sobre Moro é falar sobre a Operação Lava Jato e sua influência política. "A Lava Jato é uma das responsáveis pelo surgimento do candidato Jair Bolsonaro e sua vitória em 2018. O fato de Moro ter sua imagem associada à Operação mostra sua parcialidade e escancara que ele não foi um bom juiz. Moro julgou inimigos políticos, mas um juiz não pode ter inimigos, pois o julgamento ter de ser imparcial. Por isso o julgamento do Lula foi anulado pelo STF", comenta.

Walter critica o discurso de Moro, principalmente por se virar contra o governo do qual ele fez parte. "Moro é um sujeito que tem uma visão de Brasil muito rasa. O discurso de livrar o país da corrupção é muito raso e é o mesmo usado por Bolsonaro. Quando cita a Operação Lava Jato, o ex-juiz confirma sua parcialidade nos julgamentos, inclusive o que tirou da eleição o maior adversário do governo Bolsonaro, do qual ele fez parte", completa.

Rodrigo Augusto Prando, professor especialista em ciências sociais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, diz que Moro ainda tem uma imagem forte e que isso pode ser benéfico à sua campanha.

"Em política, especialmente em eleições, um político com uma imagem consolidada e bem comunicada ao eleitorado é fundamental. Neste campo, Moro tem uma boa vantagem competitiva, pois foi algoz do lulopetismo e rompeu com o bolsonarismo. Desta forma, numa eventual candidatura de Moro ao Planalto, é muito mais provável que ele retire votos de Bolsonaro, de sua base conservadora, de grupos de militares e dos lavajatistas. Mas sua condição de ex-juiz e a Operação Lava Jato são, hoje, diferentes daquele período no qual as ações tinham não apenas conquistado a opinião pública e a mídia, mas muitos corações e mentes na sociedade brasileira", comenta.

Em evento de filiação ao Podemos e com discurso político, Sérgio Moro trouxe à tona sentimentos e projeções variadas acerca de seus objetivos políticos. Símbolo maior da Operação Lava Jato quando juiz, 'superministro' do Governo Bolsonaro, trabalhador da iniciativa privada nos EUA e outros.

A entrada de Moro no Podemos, partido que tem 10 deputados federais e nove senadores, presidido pela deputada Renata Abreu (SP), mexe com a tabuleiro eleitoral de 2022, porque potencialmente ocupa um quadrante à direita que seria fundamental para a reeleição de Bolsonaro.

O Podemos é um partido independente em relação ao governo no Senado, mas nem tanto na Câmara. Moro é ligado ao senador Álvaro Dias (PR), ex-candidato à Presidência pela legenda, que articulou sua filiação.

Já o ex-prefeito jundiaiense Miguel Haddad (PSDB) adota um tom mais cauteloso quando Moro é citado como a principal terceira via para 22. "A filiação do ex-juiz Sergio Moro coloca mais um pré-candidato no campo da terceira via, que até o momento tem, pelo menos, 11 pré-candidatos. Ainda é prematuro avaliar se Moro, o presidente Bolsonaro e o próprio candidato do PSDB, que será definido nas prévias do próximo dia 21, disputarão os mesmos votos. Até o período eleitoral, muitas mudanças deverão ocorrer e alianças podem ser formadas. Por esses motivos, acredito que haverá uma redução no número de candidatos que disputarão as eleições para presidente em 2022."


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