Política

Doria vence prévias do PSDB para disputar presidência 2022

MAIS UMA Doria conseguiu 53,99% de aproximadamente 30 mil votos, superando Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, com 44,66% e Arthur Virgílio, com 1,35%


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O governador de SP, João Doria, disputa a presidência pelo PSDB em 2022
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O governador de São Paulo, João Doria, venceu, neste sábado (27), as prévias presidenciais do PSDB contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. O resultado põe fim a uma novela que começou no domingo (21), quando a votação foi impedida por uma pane no aplicativo (investiga-se um ataque hacker) e o resultado, postergado. O saldo foi de vexame e tensão no partido -a possibilidade de judicialização do resultado, que já era grande, só fez crescer.

Doria conseguiu 53,99% de aproximadamente 30 mil votos, superando Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, com 44,66% e Arthur Virgílio, ex-prefeito de Manaus, com 1,35% após intensa e tumultuada disputa interna.

Neste sábado, cerca de 36 mil filiados puderam votar por meio de uma nova ferramenta online. No total, 44,7 mil se cadastraram para votar nas prévias -cerca de 3 mil votaram pelo app e o restante, tucanos com mandato, em urnas eletrônicas, no último domingo. Esses votos foram guardados para serem computados.

A semana agravou a divisão entre Doria e Leite, enquanto evidenciou o alinhamento de Virgílio ao governador de São Paulo.

O paulista levantou suspeitas de que as regras de votação foram feitas para beneficiar o gaúcho, além de lembrar a relação do rival com o deputado Aécio Neves (MG), falando na necessidade de depurar o partido.

Doria foi alvo ainda de acusação de compra de votos pela deputada Mara Rocha (AC), episódio que não teve desdobramentos -a não ser pelas referências de Leite. Contudo, o governador paulista foi colocando panos quentes nas polêmicas e preparando o terreno para a votação no sábado.

"Entendemos que a dimensão do nosso partido, a dimensão daquilo que representa o único partido do Brasil que faz prévias, é mais importante do que qualquer outro sentimento que possa ter sido expressado de forma emocional, de forma instável ou de forma deliberada", resumiu, na terça (23).

Tucanos que acompanharam as prévias afirmam que, apesar de favorito por estar à frente de São Paulo, sede do tucanato, Doria viu seu adversário crescer, mas recuperou terreno na reta final -virou o voto, por exemplo, de dois deputados federais.

Por isso, para Leite e seus aliados, o adiamento beneficiou o paulista. O entorno do gaúcho afirma que Doria conquistou novos votos com base em barganha e intimidação, sobretudo em São Paulo, o que a campanha paulista nega.

Doria, que costuma dizer ser "filho de prévias", vence a sua terceira em seguida. Ele foi vitorioso nas indicações para concorrer à Prefeitura de São Paulo, em 2016, e ao governo do estado, em 2018 -tendo conquistado os dois cargos.

Ao bater o rival gaúcho e obter a vaga de candidato à Presidência, Doria consolida seu projeto político iniciado em 2016 e abre caminho para ampliar sua influência na sigla -apesar da resistência de tucanos da ala histórica e de seu principal rival interno, Aécio.

CONTURBADO

Depois de um processo com críticas e acusações de parte a parte, Doria terá o desafio de unir a sigla em torno da sua campanha ao Planalto.

Doria já afirmou acreditar que as prévias fortalecem o PSDB e que, superada a votação, todos os membros do partido serão aliados e vencedores.

Nos dias que antecederam a primeira votação, Leite e Doria já procuravam baixar a temperatura publicamente: fizeram um último debate morno e ensaiaram um discurso de unidade durante uma reunião em Porto Alegre. Nos bastidores, a briga voto a voto seguiu até o final.

O gaúcho, que foi procurado por outras siglas neste ano, disse que não deixaria o partido se perdesse. Leite vinha afirmando ainda que, no caso da derrota, não concorreria a nenhum cargo em 2022 e terminaria seu mandato no Rio Grande do Sul.

Outra tarefa do agora presidenciável é estabelecer conversas e negociações com partidos da chamada terceira via, com o objetivo de evitar a fragmentação do campo político que pretende apresentar uma alternativa viável contra Jair Bolsonaro e Lula (PT), que estão à frente nas pesquisas.

Durante a campanha, Doria se comprometeu a buscar as demais legendas e até sinalizou que poderia abrir mão da cabeça de chapa em nome de um projeto comum. Com cerca de 5% nas pesquisas e criticado por não alavancar seu nome a partir do trunfo da vacinação, o tucano está atrás de Sergio Moro (Podemos).

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on-line do JJ (jj.com.br)


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