Política

Revisão do Plano Diretor deve reordenar planejamento

AVALIAÇÃO Especialistas questionam se a cidade seguirá crescendo com problemas no sistema viário e na habitação, entre outros


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Fórum de Avaliação do Plano Diretor de Jundiaí será realizado de maneira on-line em 14 de dezembro
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Crise hídrica, cuidados com a malha viária e com o trânsito, multiplicação de condomínios verticais, questões como a permeabilidade do solo... esses são alguns dos problemas que deveriam estar no topo das preocupações do município de Jundiaí, no momento em que a Prefeitura prepara o Fórum de Avaliação do Plano Diretor.

O evento será em 14 de dezembro, realizado on-line pelo Conselho Municipal de Política Territorial (CMPT), com apoio da Unidade de Gestão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (UGPUMA).

O Fórum é aberto à participação popular - sugestões podem ser enviadas até hoje através de um questionário virtual. Depois disso, as respostas serão apresentadas durante o Fórum e encaminhadas para a UGPUMA. "A partir dos resultados obtidos no Fórum, o poder público realizará os ajustes necessários", comenta a diretora do Departamento de Urbanismo, Sylvia Angelini.

O professor associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, Paulo Scarazzato, comenta que é fundamental esse processo de análise periódica do Plano Diretor ("A cidade é um organismo vivo, o que é válido hoje pode não ser válido amanhã. As dinâmicas mudam") e alerta para alguns pontos que ele considera entre os mais importantes.

Para ele, o sistema viário deveria ser uma das principais preocupações em termos de planejamento. Scarazzato lembra que onde havia a fábrica da Deca foi construído um grande conjunto habitacional. Outros prédios estão despontando pela cidade - o que traz a mesma questão: "Para cada novo apartamento construído, precisamos pensar que teremos mais um veículo precisando de espaço nas ruas".

Segundo o arquiteto, Jundiaí corre, assim, o risco de repetir os mesmos erros que acometeram a Capital.

A presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), a advogada ambientalista Sílvia Lúcia Vieira Cabrera Merlo, tem opinião semelhante. Para Sílvia, a explosão de empreendimentos imobiliários deve forçar uma reflexão: "O índice pluviométrico está sendo insuficiente para repor o lençol freático. Sem água, não há como falar em desenvolvimento", afirma. Com uma crise hídrica da qual Jundiaí tem escapado, a presidente do Comdema deixa outra questão no ar: "Teremos água suficiente para atender a essa expansão populacional?"

A respeito da água, Scarazzato elogia o trabalho desenvolvido pelo município nas últimas décadas, citando a importância da construção da represa ("Com isso, Jundiaí fez uma bela lição de casa") e elogiando o processo de despoluição do Rio Jundiaí ("Em que pesem críticas, é mais vivo do que há algumas décadas").

Scarazzato, no entanto, questiona o modelo de uso de ocupação de solo e lembra uma frase de Antônio Fernandes Panizza (autor do primeiro Plano Diretor de Jundiaí). "Segundo o Panizza, Jundiaí teria capacidade para até 600 mil habitantes. Não chegamos nesse número ainda, mas no ritmo em que estamos..."


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