Política

Governo cria comitê contra covid para indígenas após quase 2 anos de pandemia


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2020 foi um ano trágico para os povos indígenas no país com situação agravada pela pandemia
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Depois de quase dois anos de pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criou um comitê de enfrentamento da covid-19 para os povos indígenas.

A medida ocorre em meio a uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, de julho de 2020, obrigando o governo a criar plano para esta população.

Por três vezes, desde então, as medidas apresentadas pelo governo foram rejeitadas pelo ministro.

Barroso respondeu a uma ação (ADPF) no Supremo obrigando o governo a implementar, entre outras coisas, barreiras sanitárias e uma sala de situação, com participação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e de lideranças indígenas.

De acordo com o Palácio do Planalto, o colegiado criado nesta segunda-feira (10) "é responsável pela governança e pelo monitoramento das ações de combate à pandemia da covid-19 destinadas aos povos indígenas, notadamente os isolados e de recente contato".

Ele será gerido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A criação do Comitê Gestor dos Planos de Enfrentamento da covid-19 para os povos indígenas será publicada no Diário Oficial da União de terça (11).

Um relatório divulgado no final de outubro de 2020 pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) mostrou que 2020 foi um ano trágico para os povos indígenas no país, com situação agravada pela pandemia.

No documento, a entidade afirma que houve aumento no número de casos de violações a terras indígenas, exploração ilegal de recursos e assassinato de integrantes dos diversos povos no país.

Segundo registros da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), mais de 43 mil indígenas foram contaminados pela doença no ano passado e ao menos 900 morreram.

"Em muitas aldeias, a pandemia levou as vidas de anciões e anciãs que eram verdadeiros guardiões da cultura, da história e dos saberes de seus povos, representando uma perda cultural inestimável", diz o relatório.


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