Política

Com candidaturas certas, presidenciáveis moldam discursos

Bolsonaro volta a adotar tom mais agressivo, enquanto Lula aposta na moderação ao lançar a campanha


FOTOS: DIVULGAÇÃO
Lula e Bolsonaro são os presidenciáveis melhor colocados nas pesquisas e começam a moldar discursos
Crédito: FOTOS: DIVULGAÇÃO

Os dois presidenciáveis melhor colocados nas pesquisas para as eleições deste ano começam a moldar os discursos que pretendem adotar para as campanhas. Bolsonaro (PL) volta a adotar tom mais agressivo, enquanto Lula (PT) aposta na moderação ao lançar a campanha. O atual presidente, assim como em 2018, sabe que sua base fiel espera radicalismo. O ex-presidente visa angariar o apoio e a união dos que se fazem oposição neste momento.

CHAPA

Exaltando a soberania nacional e o legado do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva lançou sua pré-candidatura em clima de festa. Com Geraldo Alckmin (PSB) como vice, a chapa petista defendeu a Petrobras e repisou falas em prol da criação de empregos e do combate à fome.

"O grave momento que o país atravessa, um dos mais graves da nossa história, nos obriga a superar eventuais divergências", disse, diante de uma imagem da bandeira do Brasil. "Queremos unir os democratas de todas as origens e matizes [...] para enfrentar a ameaça totalitária."

O petista buscou se contrapor ao principal adversário na disputa, o presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ele é autoritário e ataca a soberania, a democracia e as instituições. Acusou-o de mentir para esconder sua incompetência e de destruir o que foi construído nos anos do PT no governo.

Em aceno ao eleitorado evangélico do rival, disse que o mandatário "não é digno do título o governante incapaz de verter uma única lágrima diante de seres humanos revirando lixo em busca de comida, ou dos mais de 660 mil brasileiros e brasileiras mortos pela covid. Pode até se dizer cristão, mas não tem amor ao próximo".

Lula afirmou que o atual governo agiu com irresponsabilidade diante da pandemia de Covid-19 e elogiou o trabalho do SUS (Sistema Único de Saúde).

O discurso escolheu temas como inflação e desemprego para fustigar Bolsonaro e, em um momento de disparada dos preços de combustíveis, com discussões sobre a política de preços da Petrobras, defendeu a soberania energética e responsabilizou o atual governo.

"O resultado desse desmonte é que somos autossuficientes em petróleo, mas pagamos por uma das gasolinas mais caras do mundo, cotada em dólar, enquanto os brasileiros recebem os seus salários em real", disse o ex-presidente, que buscou exaltar legados de sua gestão.

PLEITO

Já Jair Bolsonaro vem reiterando o discurso que coloca em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. A promessa de contratar uma auditoria privada para acompanhar o processo eleitoral neste ano pegou aliados de surpresa.

Não se sabe qual seria a "empresa de ponta" que ele citou na live de quinta-feira (5) que poderia realizar esse serviço junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"O que eu acredito que ele quis dizer é que nada impediria que uma empresa acompanhasse as etapas de auditoria que o TSE disponibiliza, como no momento de lacração da urna, ou da contagem dos votos", afirma o ex-ministro do TSE e advogado da campanha do PL, Tarcísio Vieira.

Segundo Vieira, "trazer uma empresa poderia emprestar uma cientificidade maior a esse processo".
Outros conselheiros de Bolsonaro sobre esse assunto não souberam apontar qual empresa teria expertise para a tarefa.

Desde 2008, o TSE já permite que os partidos indiquem técnicos para fiscalizar as etapas de auditagem das urnas eletrônicas.

Uma delas é a votação paralela que ocorre no mesmo dia da eleição, na qual urnas escolhidas por sorteio são retiradas das seções eleitorais e recebem votos eletrônicos, registrados também em papéis lacrados em uma urna de lona. No momento da contagem da votação oficial, esses votos fictícios também são verificados.

O presidente disse nesta quinta que uma empresa contratada pelo PL irá fazer uma auditoria privada das eleições deste ano.

"Deixo claro, adianto ao TSE, essa auditoria não vai ser feita após as eleições. Uma vez contratada, a empresa começa a trabalhar, a empresa vai pedir ao TSE, com toda certeza, quantidade grande de informações. Ela vai pedir às Forças Armadas o trabalho que fez até agora", disse o presidente.

Bolsonaro não afirmou qual empresa será contratada para a auditoria. Disse apenas que se trata de firma que faz este serviço "no mundo todo". Afirmou ainda que pode "pedir socorro" a outros partidos para pagar a análise, "se ficar muito caro".


Notícias relevantes: