Política

Financiamento é gargalo para negros e mulheres


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Homens negros e mulheres têm gastos menores na campanha eleitoral
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Campanhas eleitorais são caras, mesmo na era digital. A quantidade de dinheiro que cada candidato usa depende de variáveis como cargo em disputa, estrutura do partido e influência dentro da legenda. Na média, porém, depende também de dois fatores em tese sem relação com isso: raça e gênero.

A diferença é expressiva. Em 2014, candidatos brancos que declararam recursos na disputa para deputado federal conseguiram, em média, R$ 399 mil para financiar suas campanhas. Os candidatos negros tiveram um terço desse valor: R$ 138 mil. Em 2018, após mudanças nas regras, como a que barrou o financiamento por empresas, essas cifras médias ficaram menores, mas a disparidade permaneceu elevada: R$ 251 mil para os brancos e R$ 110 mil para os negros.

Quando se acrescenta o gênero na equação, a desigualdade na distribuição de recursos aumenta ainda mais. Em 2014, mulheres negras que concorreram a uma cadeira na Câmara dos Deputados declararam, em média, R$ 45 mil. Os homens brancos tiveram mais de dez vezes esse valor: R$ 486 mil.

Em 2018, enquanto mulheres negras registraram média de R$ 85 mil na briga pela Câmara, homens brancos arrecadaram R$ 283 mil, na média.

Os dados são do estudo "Desigualdade Racial nas Eleições Brasileiras", conduzido pelos economistas Sergio Firpo, Michael França, Alysson Portella e Rafael Tavares, pesquisadores do Núcleo de Estudos Raciais do Insper.

A disparidade que eles mostram pode ser ainda maior. Não só pela existência de laranjas, mas também porque o estudo levou em conta o banco de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), baseado em autodeclaração e sujeito a fraudes ou erros, com aumento artificial das candidaturas negras.

(Folhapress)


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