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Aécio diz que vai ajudar a reverter desindustrialização do Estado de SP

| 22/06/2014 | 00:10

Promover um novo pacto federativo, reduzir os ministérios pela metade, simplificar o sistema tributário e renegociar as dívidas de estados e municípios estão entre as prioridades de campanha do senador Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República e segundo colocado nas pesquisas de opinião.

Na segunda-feira à noite, Aécio Neves deu ênfase a esses e outros pontos de sua campanha ao visitar a sede Associação Paulista de Jornais (APJ), na capital paulista, onde foi recebido por diretores da entidade. Ali ele deu a primeira entrevista após a convenção do partido, ocorrida dois dias antes e que oficializou o seu nome para a disputa eleitoral em 2014. Na ocasião, Aécio defendeu a reversão do processo de desindustrialização, com perda de competitividade em setores vitais da indústria, o que segundo ele afeta o Estado de São Paulo e em consequência todo o País.

Para isso, disse que fortalecerá parcerias com o governo estadual para imprimir novo ciclo de desenvolvimento e atrair investimentos. “O Brasil depende hoje e dependerá sempre no futuro do fortalecimento da economia de São Paulo”, enfatizou. Não poupou críticas ao governo do PT e à presidente Dilma, sinalizando o tom que deverá adotar ao longo dos debates antes das eleições. Entre as políticas que considera equivocadas, destacou o que chama de desmanche da cadeia do combustível etanol. “Foi um crime cometido pelo governo federal contra uma nova fronteira que o Brasil desbravou a partir do esforço, do investimento e da tecnologia”. Segue a íntegra dos pontos principais da entrevista:

 APJ – Por que o senhor quer ser presidente da República?

Para mudar o Brasil. Percebo, como muitos brasileiros, que mais quatro anos nesse modelo que aí está fará ainda mais mal ao Brasil. Muitas das conquistas que nos trouxeram até aqui, como a estabilidade da moeda, a credibilidade do País, o controle inflacionário, estão hoje em risco pela leniência de um governo que não tem se mostrado preparado para o enorme desafio que é administrar um País como o Brasil. Não sou candidato de um partido político, mas de uma corrente de pensamento que acredita entre outras coisas que a gestão pública pode ser eficiente mesmo sendo pública.

As parcerias com o setor privado são essenciais para alavancar o desenvolvimento do País com as obras de infraestrutura hoje no meio do caminho ou adiadas. Acredito que podemos estabelecer uma nova forma de avançar nos indicadores sociais, estabelecendo metas e meritocracia na gestão do recurso público.

O Brasil deve buscar um alinhamento com a comunidade internacional que não siga exclusivamente o viés ideológico que hoje conduz a nossa política externa porque isso está impedindo o Brasil e as empresas brasileiras de se conectarem com as cadeias globais, de avançarem em novos mercados. E a consequência mais nefasta disso é a perda de participação da indústria na constituição de nosso PIB e a fuga dos empregos de maior qualidade. 

 APJ – O senhor tem defendido um novo pacto federativo, por quê?

Sempre alertei para a fragilização da federação. O Brasil se transformou quase num estado unitário. Apenas o governo central arrecada e define o destino das unidades federadas, estados e municípios. Precisamos refundar a federação com percentual maior no Fundo de Participação de estados e municípios. Tenho uma proposta que impede a bondade com chapéu alheio que se transformou numa marca deste governo.

Desonerações pontuais para determinados setores da economia feitos sobre a parcela de receitas que caberiam a estados e municípios. De 2009 para cá os municípios brasileiros perderam R$ 11 bilhões de arrecadação. Renegociação da dívida dos estados e fim da tributação entre entes federados. Tudo isso conjuntamente poderia possibilitar um resgate ao longo do tempo da capacidade de investimento de estados e municípios. Desde que o governo do PT assumiu o governo em 2003, a participação do governo federal na Saúde caiu de 56% para 45%. Quem paga essa conta são principalmente os municípios. Quem menos têm é quem paga mais. É preciso reequilibrar a federação.

APJ – Qual a proposta do senhor em relação à alta incidência de impostos?

Nós temos a mais escorchante taxa de juros do planeta. Houve um aumento crescente dos gastos do governo. No primeiro trimestre deste ano, os gastos aumentaram 15% enquanto as receitas aumentaram 7%. A minha proposta é no início de governo fazer a simplificação do sistema tributário, que é um dos mais complexos do mundo. O conjunto das empresas gasta mais de R$ 40 bilhões apenas para manter a máquina pagadora de impostos. Acabar pela metade os ministérios que estão aí.


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