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Alckmin foi acusado de desperdiçar água por seu vizinho em Pindamonhangaba

FOLHAPRESS | 24/12/2018 | 10:38

Além de governar São Paulo, presidir o PSDB nacional e articular sua candidatura à Presidência da República, Geraldo Alckmin passou os últimos anos de mandato lidando com um imbróglio caseiro: faltou água no seu sítio em Pindamonhangaba (SP). Mais do que isso, o tucano foi acusado por um vizinho de desperdício -e justamente no período crítico da crise hídrica no estado. Famílias que vivem no terreno do ex-governador, que deixou o cargo em abril, acreditavam que tenha sido esse vizinho o responsável pelo corte do fornecimento da água.

Em junho de 2016, elas enviaram notificação extrajudicial a Tommaso Mambrini, 81, dono da Estância Onça Parda, fazenda de Pindamonhangaba (SP) vizinha ao sítio de Alckmin. A água que chegava ao sítio era oriunda da Onça Parda, que havia passado por reformas para implantação de um sistema que abastecia o terreno de Alckmin. Os representantes das famílias afetadas afirmaram que a água foi cortada deliberadamente, “criando uma verdadeira situação de calamidade” no local. Mambrini, um produtor rural de forte sotaque italiano, nega a acusação.

Mas não só isso: sentiu-se ofendido pelas alegações e instalou um hidrômetro para provar que havia “absurdo consumo de água” na propriedade de Alckmin. A reclamação de Mambrini foi parar, em 2017, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O documento foi obtido pela Folha. Nele, o produtor rural diz que o governador descumpriu a chamada Lei das Águas ao não indenizá-lo pelo fato de ter sido obrigado a instalar e fazer a manutenção de um sistema de fornecimento de água para o terreno do tucano, com “eventual desvalorização” da sua propriedade.

Ainda afirma que “por diversas vezes (todas registradas em cartas endereçadas ao senhor Geraldo Alckmin) informei a v. senhorias a respeito do enorme consumo e desperdício de água em que incorriam”. Isso o fez instalar um hidrômetro, que apontou, de janeiro a junho de 2016, o gasto de 670 mil litros de água potável “para abastecer uma ou duas famílias” -ele frisa que a ONU recomenda entre 50 e 100 litros de água por pessoa, por dia, para a satisfação de necessidades básicas e para evitar problemas de saúde.

“Causa estranheza o fato de v. senhoria alegar estar em situação de calamidade na medida em que, mesmo com a alegada interferência no acesso à água, a fazenda em que residem recebe (…) 3.984 litros de água potável por dia”, afirmou Mambrini no ofício. E acrescenta que “o sr. Geraldo Alckmin, na qualidade de governador do estado de São Paulo, enfrenta há cerca de dois, três anos grave crise hídrica no estado em que governa, tendo inclusive realizado diversos programas de uso consciente da água, dentre eles racionamento e bônus por economia, de modo que deveria ser exemplo para seus governados”.

Mambrini não informa se o conflito foi resolvido após o ofício enviado ao Bandeirantes. Diz não se recordar da notificação que recebeu e da resposta que enviou ao tucano.  “Zero, não me lembro nada desse assunto”, afirmou, pelo telefone. O produtor pediu que a papelada fosse enviada por email para esclarecer o assunto, mas não retornou. Procurado via assessoria, o ex-governador Geraldo Alckmin não se manifestou. O ex-governador é assíduo frequentador da cidade e diz que o sítio é o seu local favorito.

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