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Alckmin vai centrar fogo no PT e em Bolsonaro

DA FOLHAPRESS | 16/09/2018 | 05:00

Candidato a presidente com maior estrutura à disposição mas registrando desempenho pífio nas pesquisas, Geraldo Alckmin (PSDB) apostará na intensificação do bombardeio contra Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) na reta final da campanha do primeiro turno.
A leitura em favor do tudo ou nada foi reforçada pela pesquisa do Datafolha publicada na sexta (14). Nela, Alckmin oscilou negativamente, de 10% para 9%, enquanto Bolsonaro mostrou-se estável em confortáveis 26% e Haddad saltou de 9% para 13%, empatando numericamente com Ciro Gomes (PDT).

Para o comando tucano, a estabilidade da rejeição ao líder das pesquisas em 44% e o fato de que 98% dos brasileiros não mudaram de voto devido à facada que o deixou hospitalizado desde o dia 6 permite detonar uma nova rodada de inserções e falas contra ele.
A estratégia desagrada Alckmin, que sempre prega recato nessas horas e vem vetando reiteradamente peças publicitárias mais agressivas desde que Bolsonaro foi atacado em Juiz de Fora.

Mas a avaliação de que há votos a serem colhidos nas franjas menos convictas do eleitorado do deputado e a avaliação sobre sua rejeição aumentaram a pressão de aliados para que ele aceitasse uma guinada mais agressiva. O primeiro turno é daqui a três semanas, afinal.
Isso foi definido na sexta-feira (14), e dois filmes mais incisivos contra Bolsonaro foram enviados para a Justiça Eleitoral visando o fim de semana, mesmo antes da publicação da pesquisa do Datafolha que mostrou o impacto nulo do atentado em intenções de voto.

Neste sábado (15), Alckmin já fez discurso em campanha atirando para ambos os lados, enquanto aliados seus faziam reuniões para discutir a modulação dos ataques em São Paulo. Para um dos decanos do tucanato, o ex-governador paulista Alberto Goldman, o foco deveria ser todo no PT, já que, na sua visão isso drenaria naturalmente apoio de antipetistas hoje com Bolsonaro. “Falta sincronização com o sentimento de indignação da população. Precisamos lembrar que a situação está ruim como está devido a quatro governos do PT.”

A tentativa de desconstrução de Bolsonaro passa por caminhos conhecidos, como a rejeição de 49% das mulheres ao deputado. Mas também por novos, como seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), que deu novamente declarações desastradas ao defender uma nova Constituição sem a necessidade de uma Constituinte composta por “eleitos pelo povo”. A campanha poderá lembrar o eleitor três vices assumiram que o poder no Brasil desde 1985, e que Mourão, defensor de intervenções militares em casos extremos, pode não ser exatamente um modelo de democrata para o cargo.
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