Política

Após alerta de militares, Bolsonaro recua em críticas


T_Bolsoronga
Crédito: Reprodução/Internet
Após ser alertado por ministros da ala militar sobre o risco de uma radicalização em um momento tão delicado para o país, o presidente Jair Bolsonaro decidiu ontem (20) mudar o tom crítico que vinha adotando e defendeu o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, condenando um apoiador que defendia o fechamento do tribunal superior. No final de domingo (19), depois de o presidente participar de uma manifestação onde havia faixas e gritos defendendo intervenção militar e fechamento do Congresso e Supremo, militares avaliaram que Bolsonaro errou ao participar do ato, principalmente porque ele acontecia na frente do Quartel General do Exército. Na avaliação de ministros militares e de militares da ativa, à frente de postos de comando das Forças Armadas, Bolsonaro acaba estimulando uma radicalização do ambiente político no país, mesmo ele não tendo, no seu discurso, falado em fechamento do Legislativo e do Judiciário. A presença de Bolsonaro na manifestação na tarde de domingo provocou um "desconforto" na cúpula militar. Em entrevista, oficiais-generais destacaram que não se cansam de repetir que as Forças Armadas são instituições permanentes, que servem ao Estado Brasileiro e não ao governo. O deputado federal Miguel Haddad (PSDB) diz que o momento é de união, e que as autoridades não devem medir forças. “O Brasil atravessa uma das suas horas mais difíceis com a morte de milhares de pessoas, uma conta que tende a aumentar exponencialmente. Estamos em guerra contra o coronavírus e precisamos mobilizar todas as nossas forças para evitar um mal maior. Esse não é o momento de divisões. Aqueles que estão empenhados em separar a nação, estão também impedindo que consigamos vencer essa guerra. Esperamos que o bom senso prevaleça”, comenta. Já o deputado estadual Alexandre Pereira (Solidariedade) afirma que todos têm direito à livre manifestação, mas que o momento é de se cumprir o isolamento social. “Não posso concordar com situações que firam as diretrizes da OMS, com aglomerações, neste momento tão difícil para a população mundial. Ainda mais quando pedem retorno do AI 5 ou proferem palavras contrárias aos poderes Executivo e Legislativo. Isso não é democracia e de forma alguma posso apoiar. Esta é a hora da doação, de ficarmos em casa, em isolamento social, pelos profissionais da saúde e de cuidarmos de nós, da nossa família e do bem-estar do próximo.” Militares da ativa foram claros, em conversas reservadas no domingo à noite, que as Forças Armadas não apoiam nenhuma solução fora da Constituição e que não irão participar de nenhuma aventura.

Notícias relevantes: