Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Atuação política da mulher é desproporcional ao eleitorado

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI - BMANGIERI@JJ.COM.BR | 11/03/2018 | 05:55

As mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar disso, uma pesquisa encomendada pelo Movimento Transparência Brasil (MTB) mostra que os partidos no país são compostos por apenas 40% de filiadas. Os dados do TSE também mostram que só 30% dos postulantes a cargos eletivos são mulheres.

livia

Foto: Aquivo JJ

Em Jundiaí, o padrão se repete. No PDT, apenas 37,7% dos filiados são do sexo feminino, ou 357 dos 946 totais. No PSDB, são 900 mulheres de 2.259 associados, ou 39,8%. Já no PT, 886 dos 2.050 membros são mulheres, o que representa 43,2%. No MDB, a equidade entre gêneros é um pouco maior: as mulheres são 49,4% dos filiados, ou 558 de 1.128 membros.

Quando se trata de mulheres eleitas, o problema é alarmante: nenhuma candidata da cidade foi escolhida para ocupar um cargo eletivo no último pleito municipal, em 2016.

Motivos

Para Mariana Janeiro, membro da Rede Jundiaí 50-50, entidade que luta por mais igualdade entre as mulheres, um dos fatores que impede que elas se dediquem à vida política é a divisão do trabalho, que impõe às mulheres uma jornada dupla, às vezes tripla. “Culturalmente, estabeleceu-se que mulheres ficam com funções de cuidado e os homens com a tomada de decisão”, diz. Lívia Maria Siqueira, do mesmo movimento, concorda. “A vida pública é 24h, demanda muita dedicação e o ambiente partidário é hostil”, diz.

HOMENAGEM DA CAMARA MUNICIPAL AO JORNAL DE JUNDIAI PELO ANIVERSARIO DE 53 ANOS MARCIA REGINA GONCALVES PARA

Foto: Alessandro Rosman

Márcia Pará, 2ª vice-presidente do MDB, concorda. “Venho brigando dentro do meu próprio partido por mais participação feminina, pois muitas vezes as mulheres são apenas instrumento para que os partidos se adequem à lei de cotas”, diz. A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) define que cada partido ou coligação deve ter no mínimo 30% e no máximo 70% de candidaturas de cada sexo. “Minha proposta é que esses 30% sejam de mulheres eleitas, e não só de candidatas”, diz Márcia.

Incentivo

Lívia afirma que os partidos poderiam tomar mais iniciativa para ampliar a participação feminina na política. “Não adianta ter uma ala de mulheres no partido que só discute pautas leves. Falta capacitar esses grupos e abrir espaço nos cargos de decisão do partido”, diz. “Por isso, a maioria das candidatas tem propostas fracas e acabam não sendo eleitas”.

Mariana vai além. “Não basta só ser mulher, tem que defender nossos direitos, pois ainda temos muitos a conquistar. Se não, é melhor eleger um homem que nos defenda”, diz.


Link original: https://www.jj.com.br/politica/atuacao-politica-da-mulher-e-desproporcional-ao-eleitorado/
Desenvolvido por CIJUN