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Bancada da Lava-Jato pode ser positiva se não houver heroísmo, dizem especialistas

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 30/06/2018 | 05:25

A Operação Lava Jato e a onda de combate a corrupção está motivando diversos policiais e membros do Judiciário a participar das eleições de outubro. Para o jurista João Jampaulo Júnior, doutor em Direito Constitucional, a ação pode ser positiva, desde que estes não estejam usando de seu trabalho para obter privilégios. Ele acredita, ainda, que essas classes podem ser menos suscetíveis à corrupção. “Tanto policiais quanto magistrados são servidores públicos, ou seja, ele já têm uma função de servir à sociedade. O que eles fazem não é nada além da obrigação”, opina Jampaulo. “Se eles usam disso para conquistar privilégios na política, não vejo mérito. Não acredito em salvadores da pátria”.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Jundiaí, Ayrton Bressan, acredita que as propostas destes pré-candidatos importam mais que seu histórico de investigações e sentenças. “O eleitor tem que avaliar se determinado candidato está querendo se beneficiar das operações ou se quer exercer um mandato em benefício do povo”, diz. Jampaulo, por outro lado, acredita que policiais e magistrados podem ter uma tendência menor a se corromper, dada a natureza de seu trabalho. “O conglomerado político sufoca o indivíduo sozinho e, ou ele entra na dança ou é mandado embora do baile”, justifica, “Acho que quem trabalha batalhando contra a corrupção poderá ser mais vigilante do que quem só vive da política”, diz.

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Entre os membros do Judiciário interessados em participar do pleito estão os ex-juízes Odilon de Oliveira (PDT-MS), Márlon Reis (REDE-TO) e Wilson Witzel (PSC-RJ), que pensam em governar seus respectivos estados. Já os agentes de segurança pública estão mais interessados em cadeiras das Assembleias Legislativas e da Câmara de Deputados e chegam a 30. O famoso “japonês da federal”, Newton Ishii, no entanto, não será um deles, apesar de ter se filiado ao partido Patriotas. A maioria dos policiais interessados em se candidatar, aliás, está ligado a partidos de direita “A esquerda ficou muito desacreditada depois das operações, por isso eles estão buscando um nicho que os favoreça”, avalia Bressan.

A intenção dos policiais é eleger entre cinco e sete membros para criar uma bancada que defenda pautas relacionadas à segurança pública. Uma delas é impedir a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lava Jato, que quer investigar supostos abusos da operação. Jampaulo também não vê a iniciativa com bons olhos.
“Se tivéssemos um Legislativo independente, a CPI seria um instrumento maravilhoso, mas eles são os próprios investigados”, opina. “Já existem órgãos de controle que vigiam os órgãos de investigação. Se não pudermos confiar neles vamos viver sob eterna investigação? Isso traz insegurança jurídica e ameaça o estado democrático de direito”.

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí


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