Política

Bens de Geraldo Alckmin são bloqueados pela justiça por suposto caixa dois

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), teve seus bens e valores em conta bloqueados, pela Justiça Eleitoral de São Paulo que determinou o bloqueio de até R$ 11,3 milhões, na última quinta-feira (30). A decisão é do juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, e a informação foi divulgada hoje pela Polícia Federal, que pediu o bloqueio. A Justiça Eleitoral de São Paulo determinou, na última quinta-feira (30), o sequestro de bens e de valores em conta do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) até o limite de R$ 11,3 milhões. A decisão é do juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, a informação foi divulgada hoje pela Polícia Federal, que pediu o bloqueio. O bloqueio também atinge Marcos Monteiro, tesoureiro da campanha de Alckmin em 2014, e Sebastião Eduardo Alves de Castro, ex-assessor do governo. Para eles, o limite do sequestro de bens e valores é de R$ 9,3 milhões. No fim de julho, o ex-governador virou réu por corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro após o juiz Vargas aceitar denúncia apresentada pelo MPE (Ministério Público Eleitoral). O tucano responde a ação penal eleitoral por suposto caixa dois de R$ 11,9 milhões pagos pela Odebrecht nas campanhas de 2010 e 2014. "A manutenção dos bens sem constrição permitirá sua livre negociação, podendo envolver terceiros de boa-fé, pessoas futuras e eventualmente prejudicadas em razão de eventual transação promovida pelos indiciados. E mais, caso os investigados consigam transformar os bens imóveis em outros ativos, seu rastreamento se tornará mais difícil, o que prejudicará as investigações e a colheita de provas",diz Marco Antonio Martin Vargas, juiz eleitoral. Segundo o magistrado, "foi possível identificar diversas coincidências entre as ordens de pagamento registradas nos sistemas da empresa Odebrecht e as informações prestadas pelos colaboradores". Em 2010, segundo a decisão, há 11 registros de pagamentos no sistema da Odebrecht que foram destinados à campanha de Alckmin. Na ocasião, o total chegou a R$ 2 milhões. Para a campanha de 2014, foram encontradas 13 ordens de pagamentos que somam R$ 9,3 milhões, de acordo com a decisão. Marcos Monteiro e Sebastião Eduardo Alves de Castro teriam recebido os repasses ilegais da empreiteira em nome do tucano. Monteiro também foi presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, empresa ligada ao governo paulista, e secretário de Planejamento e Gestão do Governo do Estado de São Paulo durante a gestão de Alckmin. Castro seria subordinado de Monteiro na Imprensa Oficial e na secretaria, de acordo com a decisão. A PF pediu o bloqueio de bens "para assegurar eventual ressarcimento à União, ainda que parcial". O MPE (Ministério Público Eleitoral) concordou, "haja vista as fundadas evidências da prática dos crimes", traz a decisão da Justiça. De acordo com o Ministério Público Eleitoral, Alckmin recebeu R$ 2 milhões da Odebrecht em 2010 e R$ 9,3 milhões em 2014, quando disputou e foi vitorioso nas disputas para ser governador de São Paulo. Uma semana antes da denúncia, a Polícia Federal indiciou o tucano no caso. O primeiro repasse, em 2010, foi efetuado por intermédio de Adhemar Ribeiro, cunhado do tucano. Os pagamentos teriam sido feitos ao escritório de Ribeiro e apareciam nas planilhas do Departamento de Operações Estruturadas sob o codinome "Belém". Em 2014, o esquema teria contado com a participação do então tesoureiro de campanha Marcos Monteiro, que teria atuado ao lado da Odebrecht na autorização, planejamento e execução dos pagamentos da propina. Os repasses foram feitos em 11 parcelas, totalizando R$ 9,3 milhões, e entregues pela Transnacional, empresa do doleiro Alvaro Novis, ao "senhor Eduardo Castro", o assessor Sebastião Eduardo Alves de Castro, conforme registram mensagens obtidas pelo Ministério Público. O endereço de Sebastião Castro consta em diversas mensagens trocadas por funcionários do doleiro como local de entrega de propina. Além disso, os pagamentos foram lançados na planilha sob o codinome 'M&M', de Marcos Monteiro. "Os recursos não foram registrados nas prestações de contas do candidato (falsidade ideológica), que solicitou e recebeu vantagem indevida (corrupção passiva), pagas pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht, a partir do emprego de métodos ilícitos como uso de 'doleiros', com o fim de ocultar a origem dos valores e dificultar a possibilidade de seu rastreio (lavagem de dinheiro). Esses recursos destinavam-se, num primeiro momento, ao financiamento eleitoral indevido (não declarado) e, num momento seguinte, pós eleições, à manutenção da influência do grupo empresarial junto ao governo", afirmou a Promotoria.

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