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Bolsonaro anuncia astronauta Marcos Pontes como novo ministro da Ciência

FOLHAPRESS | 31/10/2018 | 21:08

Marcos Pontes, 55 Nasceu em Bauru (SP) e é tenente-coronel-aviador, piloto da Força Aérea Brasileira e engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, com mestrado em engenharia de sistemas. Ele foi incorporado à classe de astronautas da Nasa em 1998. Em seu período como astronauta ativo da agência espacial americana Passou sete anos (1998 a 2005) no Centro Espacial Lyndon Johnson da Nasa, em Houston, EUA, aprendendo a comandar um ônibus espacial. Em 29 de março de 2006, decolou do Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional. Passou dez dias no espaço a um custo de US$ 10 milhões ao governo (hoje US$ 37 mi)

Rio de Janeiro e São Paulo”O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou no Twitter o astronauta Marcos Pontes como futuro ministro da Ciência e Tecnologia. “Comunico que o Tenente-Coronel e Astronauta Marcos Pontes, engenheiro formado no ITA, será indicado para o Ministério da Ciência e Tecnologia. É o quarto Ministro confirmado!”, escreveu. O anúncio se deu um dia após a primeira reunião de Bolsonaro com seu núcleo duro, no Rio, para discutir formação de governo. Pelo plano, a pasta deve ganhar nova formatação: as Comunicações, hoje atreladas à Ciência e à Tecnologia, devem compor uma pasta com Transportes e Infraestrutura.

Ficaria sob os cuidados de Pontes a área referente a ensino superior, atrelada ao MEC (Ministério da Educação). Desde a fusão do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) com o das Comunicações em 2016, boa parte da comunidade acadêmica pedia pela separação. A proposta ganhou força não só pela simbologia mas também por conta do corte de verbas federais para o financiamento de projetos, que desde 2013 caiu quase pela metade. Pontes, que se tornou o primeiro astronauta brasileiro durante o governo Lula, chegou a ser cotado a vice de Bolsonaro. Ele é o segundo militar escolhido para compor novo ministério. O primeiro foi o general Augusto Heleno, para a Defesa.

Nesta quarta (31), durante palestra para jovens em Manaus, ele agradeceu a escolha. Anunciado como “um dos ministros mais importantes do governo Bolsonaro”, Pontes disse estar vivendo um “momento muito, muito especial” e pediu à plateia que comemorasse com ele. Em seguida, o militar da reserva agradeceu Bolsonaro “pela confiança depositada”. “Estou a serviço do país. A confiança é mútua –ninguém faz nada sozinho. Agora é juntar e unir os brasileiros em prol dessa bandeira. Agora vocês têm um parceiro que vai defender isso e que vai servir a comunidade. Líder não comanda, líder ajuda a servir.”

Pontes enalteceu o ministério, afirmou que a tecnologia “é importante em todas as áreas” e prometeu trazer o assunto “mais próximo do dia a dia”, em sintonia com o que costuma dizer Bolsonaro. No programa de governo registrado no TSE, a candidatura do presidente eleito afirma que é preciso buscar parcerias com empresas privadas para transformar ideias em produtos, “Isso gera riqueza, desenvolvimento e bem-estar para todos”. “Os melhores pesquisadores seguem suas pesquisas em mestrados e doutorados, sempre próximos das empresas. O campo da ciência e do conhecimento nunca deve ser estéril”, diz o texto.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e professor de física da UFRJ, Luiz Davidovich, diz esperar que o ministro ouça a comunidade científica, que já elaborou “várias propostas de políticas de Estado” que podem ser aproveitadas. Para o físico, a incorporação da área de ensino superior ao MCTI é uma surpresa, mas pode ter vantagens, por haver convergência nos temas. “Mas não se pode afastar a educação superior da educação básica”, alerta. Ele cita o exemplo de programas de pós-graduação direcionados para professores da educação básica.

“Nessa área, há uma diversidade muito grande. Só 25% dos alunos estão em instituições onde há pesquisa. Das instituições privadas, as católicas e o Mackenzie são exemplos de onde há pesquisa, mas muitas outras não fazem. Se isso se concretizar, é uma área que o MCTI nunca conheceu. É um desafio possível, mas a carga é muito pesada.  Ainda há a questão da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), fundação vinculada ao MEC e que tem papel importante na avaliação de programas de pós e no financiamento de bolsas de pesquisa. “É importante preservar esse trabalho”, diz Davidovich.

Outro desafio de Pontes é recompor o orçamento do ministério, diz Fernando Peregrino, do Confies (conselho de fundações de apoio às Instituições de ensino superior). “A diferença é de 40% em comparação a quatro, cinco anos atrás. É uma atividade dispendiosa, mas os benefícios são grandes também”, afirma. “Marcos Pontes é uma pessoa de perfil técnico, conhecedora de tecnologias aeroespaciais e cujo currículo suplanta alguns ministros já escolhidos para a pasta e que não tinham nada a ver com a área”, diz Peregrino, que é doutor em engenharia pela UFRJ.

Ele vê como pontos positivos no pensamento de Pontes a ideia de desburocratizar a realização de pesquisa no país, como na importação de insumos e da papelada necessária para fazer pesquisas ligadas à biodiversidade. Em carta de resposta a questionamentos da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da ABC, Bolsonaro disse na semana passada que a provável escolha por pontes se devia à meritocracia, e não ao “toma lá dá cá”. Segundo a carta, o astronauta pediu que o governo fosse agressivo e lembrou que países desenvolvidos investem até 3% do PIB em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) –hoje, o Brasil investe cerca de 1%. A meta é chegar ao final do mandato com o novo patamar.

Para o então candidato à Presidência era preciso “garantir que os resultados práticos da tecnologia cheguem à população e no setor econômico, justificando os gastos públicos perante o povo (dono do dinheiro), e motivando o investimento privado.” Bolsonaro disse que não há mais espaço para que a área de Ciência e Tecnologia seja “comandada de Brasília e dependente exclusivamente de recursos públicos” e enaltece empreendedorismo e o desenvolvimento científico em parceria com empresas.

A meta seria atingir algo entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões de orçamento para a área até o fim do mandato. “Nós passamos por um momento muito difícil de crise no país, […] mas CT&I, no nosso ponto de vista, não é gasto, é investimento”, diz.
O orçamento aprovado para 2018 foi de R$ 4,6 bilhões.

Foto: reprodução/internet

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