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Bolsonaro confirma neste domingo a candidatura à presidência

DA FOLHAPRESS | 22/07/2018 | 02:00

Responsável na atual disputa pelo maior crescimento proporcional nas pesquisas, o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro, 63, oficializa neste domingo (22) no Rio de Janeiro sua candidatura à presidência da República pelo nanico PSL. Em menos de três anos, ele passou de 5% das intenções de voto (dezembro de 2015), para os 17% atuais, nos cenários em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece entre os candidatos. Deputado federal por sete mandatos, Bolsonaro sempre foi um outsider no Legislativo: de mais de 170 projetos de sua autoria, apenas dois viraram lei. Seus quase 30 anos na Câmara foram pautados pela adoção de um discurso agressivo e radical, incluindo ataques a gays e mulheres, defesa da ditadura militar, de um novo golpe de Estado, assassinato de criminosos, entre outros pontos.

Com esse perfil, reuniu em seu entorno eleitorado em grande parte de extrema direita que lhe dá, hoje, a liderança nas pesquisas nos cenários sem o petista. Apesar de largar na frente, Bolsonaro enfrentará o desafio de conseguir, sem partidos aliados e com um minúsculo tempo de propaganda eleitoral na TV, furar a polarização entre PSDB e PT que vem desde 1995. O presidenciável trocou, em março deste ano, o PSC pelo PSL, legenda que hoje conta, além dele, com apenas outros sete deputados federais, entre eles o seu filho, Eduardo Bolsonaro (SP). Antes, passou por outras legendas, entre elas PP, PTB e o PFL (atual DEM). Uma marca da campanha de Bolsonaro é o improviso. A legenda não contratará um marqueteiro e não há até o momento jingle ou slogan definidos. O presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, diz que isso se dá devido à pouca estrutura.

“Nosso trabalho é todo feito de forma espontânea, de acordo com o andar da carruagem. Não há um planejamento até porque os recursos são pequenos.” Além da presidência da legenda, Bebiano, homem de confiança de Bolsonaro, acumulará a tesouraria e as coordenações de campanha e da parte jurídica. Bolsonaro precisará driblar a fragilíssima estrutura política. Também tenta fazer uma revisão de seu passado, buscando se distanciar de várias das posições que adotou nesses 30 anos como deputado. Um exemplo: hoje defende o voto direto e a democracia, mas sempre fez apologia da ditadura militar, e nos anos 1990 chegou a defender abertamente uma nova quartelada no país.  “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, no dia em que partir para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez. Matando uns 30 mil, começando pelo FHC [então presidente da República], não deixar ele pra fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente”, disse o pré-candidato na ocasião.


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