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Candidatos ao governo de São Paulo mostram propostas para o AUJ

CARLOS SANTIAGO | 26/08/2018 | 05:00

Cerca de 84 mil pessoas – moradoras dos 7 municípios do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) – têm de se deslocar diariamente de suas cidades de origem para trabalhar ou estudar, ou mesmo para lazer. O número consta da Dissertação de Mestrado “Entre metrópoles: mobilidade espacial da população, heterogeneidades e arranjo regional na Aglomeração Urbana de Jundiaí”, apresentada em 2014 pela então mestranda do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, Jackeline de Pádua Pereira da Silva.

Os números levantados por ela se referiam a dados do IBGE de 2010, ou seja, um ano antes de o Governo Estadual determinar a criação da AUJ, fato que ocorreu em 25 de agosto de 2011. A estatística se refere ao que ela explicava se tratar de “movimento pendular” – a circulação das pessoas tanto entre as cidades do AUJ quanto em toda a Região – e expõe um dos problemas mais sérios enfrentados pelos sete municípios: o precário transporte público interurbano e regional, que sequer funciona de maneira integrada e que faz com que os passageiros percam tempo e dinheiro em seus deslocamentos diariamente.

Segundo os dados de 2010, o maior número de pessoas se deslocando é em Várzea Paulista (26.306/dia). Nos outros seis municípios do AUJ, o total de pessoas saindo de suas cidades para trabalhar ou estudar é de 4.080 (Cabreúva), 16.036 (Campo Limpo Paulista), 5.290 (Itupeva), 2.131 (Jarinu), 26.403 (Jundiaí) e 3.901 (em Louveira). O Jornal de Jundiaí Regional procurou os quatro candidatos ao Governo do Estado mais bem posicionados nas pesquisas – João Dória (PSDB), Paulo Skaf (MDB), Márcio França (PSB) e Luiz Marinho (PT), para que falassem tanto sobre a questão do transporte regional quanto a respeito do AUJ como um todo. Skaf e França atenderam à solicitação, enquanto Dória e Marinho não responderam.

Paulo Skaf foi lembrado pela reportagem sobre um compromisso assumido pelo governo paulista em 2012. Naquele ano já havia previsão de investimentos no Trem Expresso Bandeirantes, algo que jamais saiu do papel. O candidato do MDB afirma que o trem expresso conectando as regiões metropolitanas é uma de suas prioridades. E critica: “O trecho de Campinas a São Paulo já deveria estar pronto, pois tem demanda e estudos já feitos. Vamos tirar do papel o mais rápido possível”, revelou.

A questão da falta de integração entre os ônibus dos diversos municípios faz com que as pessoas tenham de buscar alternativas. Este é o caso, por exemplo, de Henrique Menegardi Mazzi, de 18 anos. O jovem mora em Cabreúva, onde trabalha como auxiliar de logística. Para chegar ao trabalho, no Distrito Industrial do Pinhal, utiliza o ônibus da própria empresa. Mas para ir e voltar da faculdade (ele cursa Logística em uma universidade em Jundiaí), o jeito foi contratar uma van escolar. “Do contrário, corria o risco de ficar na rua”, comenta Henrique. Paulo Skaf diz reconhecer a necessidade da integração entre os municípios e promete se colocar à disposição do AUJ para conhecer os projetos de mobilidade para a Região.

Região metropolitana
O governador Márcio França, candidato à reeleição pelo PSB, não esmiuçou a questão, mas optou por afirmar que a ideia é criar uma Região Metropolitana com poder de decisão para saber como e onde aplicar os recursos. Segundo França, a definição do que se pode ou não fazer em quais áreas é vital para dar segurança ao investidor e, com este poder nas mãos dos municípios, o Governo do Estado também terá mais segurança política, técnica e jurídica para apoiar os passos definidos pela população.

Foto: Divulgação

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