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Candidatos apostam em doações para financiar maior parte das campanhas

Bárbara Nóbrega Mangieri | 19/08/2018 | 05:15

Mesmo que os partidos disponham de pelo menos R$ 2,5 bilhões para financiar campanhas eleitorais em 2018, a grande maioria dos candidatos jundiaienses contará com doações diretas de pessoas físicas para financiar a maior parte de suas campanhas.

O valor bilionário inclui o fundo eleitoral, criado com a minirreforma política aprovada no Congresso Nacional em 2017, que vai distribuir R$ 1,7 bilhão aos partidos. Além deste, as legendas ainda têm a disposição parte do tradicional fundo partidário, de R$ 888,7 milhões, que será dividido entre a manutenção da estrutura do partido e o investimento em candidaturas.

Ainda assim, poucos políticos jundiaienses terão acesso a esse dinheiro. Segundo apuração do JJ, 10 dos 20 candidatos da cidade têm certeza que terão repasse do partido para utilizar em sua campanha, mas será pouco. Entre eles, cinco são mulheres, que obrigatoriamente têm acesso a 30% do fundo eleitoral, segundo determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A única candidata que não terá acesso ao fundo é a empresária Andrea Seixas, que concorre como deputada estadual pelo PSL. Outros três postulantes – todos candidatos a deputado estadual – ainda estão debatendo com as legendas se terão acesso a parte do fundo ou não. Todos eles, porém, pretendem realizar uma combinação das três formas de financiamento autorizadas.

Apenas o deputado federal Miguel Haddad (PSDB) terá sua campanha 100% financiada pelo partido. Sua dobradinha, que será o presidente da Câmara de Jundiaí, Gustavo Martinelli (PSDB), contará apenas com as outras duas formas de financiamento permitidas, assim como os demais candidatos da cidade: o autofinanciamento e a doação de pessoas físicas, que pode ser feita através de débito em conta ou de financiamento coletivo on-line.

“Não muda muito para mim, porque sempre fiz minhas campanhas com custo próprio e alguma ajuda de amigos e familiares. Sempre foram campanhas enxutas e focadas no olho no olho e no corpo a corpo”, diz o vereador Martinelli. Tanto as doações de terceiros quanto as autodoações estão limitadas a até 10% do rendimento bruto declarado no ano anterior à votação.

A vaquinha on-line, tida como uma das grandes novidades das eleições deste ano, não foram citadas por muitos dos candidatos. A educadora Paloma Soares, candidata a deputada estadual pelo PSOL, diz que já possui algumas doações. Carla Basson (MDB), candidata a vice-governadora de Paulo Skaf (MDB), diz que a vaquinha on-line de sua chapa já possui 1.300 apoiadores. Fora elas, os candidatos do partido Novo, Edney Duarte Jr. e Rogério Souza, candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente, também pretendem utilizar a forma de financiamento on-line.

Os demais afirmaram que preferem receber doações direto na conta, o que também é permitido pela lei. “Além de doações de amigos e familiares, pretendo fazer um jantar de arrecadação em setembro”, revela o ex-vereador Rafael Purgato (PCdoB), candidato a deputado estadual. Glauco Gobbi, que concorre a uma vaga no Congresso Nacional pelo PSOL, também pretende apenas “passar o chapéu”. “Não pretendo gastar mais do que R$ 1500, talvez R$ 2000”, afirma.

Nove candidatos também utilizarão o autofinanciamento, mas apenas para cobrir entre 10% e 20% dos custos de campanha. Outros ainda estão estudando a necessidade de tirar dinheiro do próprio bolso, o que vai depender da quantia arrecadada com doações. De maneira geral, a tendência é que sejam todas candidaturas enxutas, focadas nas mídias digitais e em trabalho voluntário.

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