Política

Candidatos locais têm dificuldade para receber o fundo eleitoral

Após discussões e negociações, o presidente Jair Bolsonaro aprovou o orçamento para 2020, que inclui o fundo eleitoral no valor de R$ 2 bilhões. No entanto, quem recebe este valor são as lideranças nacionais dos partidos, que ficam responsáveis pelo repasse aos diretórios estaduais e municipais. O problema é que uma parcela muito pequena - ou nenhuma - é destinada aos municípios, e essa história deverá se repetir nas eleições deste ano. Presidente do PSB-Jundiaí, o professor Oswaldo Fernandes conta que os diretórios municipais sempre tiveram muita dificuldade em receber valores do fundo eleitoral. “Historicamente esse dinheiro nunca veio. A maior parte vai para as campanhas dos deputados federais e para as grandes cidades. Até porque, o valor de R$ 2 bilhões parece altíssimo, mas se fosse dividido igualmente entre todos os municípios do Brasil, cada um receberia uma quantia insignificante para se realizar a campanha de um candidato. No caso específico do PSB, tivemos uma conversa com o diretório estadual, que nos prometeu uma parcela do fundo para as eleições deste ano”, comenta. Toninho Inácio, ex-presidente do extinto PHS em Jundiaí, afirma que o valor aprovado irá beneficiar os dirigentes dos partidos, e será ruim para o sistema eleitoral brasileiro de forma geral. “Os recursos acabam ficando nas mãos da direção nacional dos partidos e raramente chegam aos municípios. Acredito que cada partido deveria ter sua própria forma de levantar recursos, através de seus filiados, eventos etc. Mas ainda não temos partidos com solidez e prática ideológica que convença as pessoas a doarem recursos para os seus projetos”, completa. “O fundo eleitoral foi aprovado de maneira vergonhosa, ainda mais considerando todas as necessidades que nosso país tem. Esse alto valor só vai beneficiar os ‘caciques’ nos altos escalões partidários”, afirma Gerson Sartori, presidente do PDT-Jundiaí. Marcello Giacaglia, que lidera o diretório do Partido Novo de Jundiaí, diz que a legenda é contra o fundo eleitoral e o fundo partidário. “Nós acreditamos que só o partido que é sustentado diretamente pelas pessoas vai realmente se preocupar em representá-las bem. Recebemos a nossa parte pois, se recusássemos, ela seria dividida automaticamente entre os outros partidos. Mas há uma nova lei que permite devolver o dinheiro ao Tesouro Nacional, e é o que faremos”, afirma. O fundo eleitoral, cujo nome oficial é Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), é um fundo público destinado ao financiamento das campanhas eleitorais dos candidatos. Alimentado com dinheiro do Tesouro Nacional, ele é distribuído aos partidos políticos para que estes possam financiar suas campanhas nas eleições.

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