Política

Candidatos prometem cobrar governos sobre crise da água


Um dos cenários mais críticos deste ano - e ponto de embate entre os candidatos ao Executivo do país e do Estado de São Paulo - atinge também o discurso dos políticos que disputam vagas na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa. A falta de água em algumas cidades próximas de Jundiaí, como Itu e Jarinu, faz com que os candidatos locais tenham propostas sobre o tema na ponta da língua. Consultada pelo JJ Regional, a maioria diz que pretende cobrar mais planejamento dos governos. Ainda que a atribuição plena sobre as fontes de energia e abastecimento caiam sobre o poder Executivo, os candidatos a deputado acreditam que podem ajudar por meio de cobranças e articulação política.

Ex-prefeito de Jundiaí e candidato a federal, Miguel Haddad (PSDB) diz que a ecologia deve ser obrigatória ao planejamento econômico. Ele não comenta o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição em São Paulo, mas afirma: “Nacionalmente, quase a metade do que é distribuído é perdida em vazamentos. Nosso País precisa buscar soluções diversificadas que incluam, por exemplo, o aproveitamento da água do mar.” Para ele, a tribuna da Câmara Federal é importante instrumento para cobrar.

Seu companheiro de dobrada, deputado federal e candidato a estadual, Luiz Fernando Machado (PSDB), concorda. “O Estado deve utilizar o que é seu. Precisamos dar suporte ao sistema Cantareira e ter plano de investimento para dar respaldo às cidades. Vou procurar fiscalizar e trabalhar em parceria com a Sabesp”, afirma.

Candidato a federal e presidente da Câmara de Jundiaí, Gerson Sartori (PT) aproveita para ser crítico. “Foram anos de irresponsabilidade do PSDB no Estado. Quero articular com quem quer que ganhe para que não aconteça mais essa vergonha. Temos que pensar em projetos para reúso da água”, diz. “É um problema de distribuição. Há muitas adutoras velhas, vazamento e ligações clandestinas. Há uma perda grande. Vou cobrar metas do governo e da Sabesp para parcerias com empreendedores, como fizemos em Várzea Paulista quando faltava água na cidade”, opina o candidato a estadual e ex-secretário de Obras, Junior Aprillanti (PCdoB).

Problema demorado - Na opinião do vereador e candidato a estadual, Antonio de Pádua Pacheco (PSB), que evitou fazer críticas ao governo, a solução para a crise da água não será rápida. “O sistema Cantareira depende de chuva. Jundiaí ainda tem água porque teve adutoras no mandato do Walmor Martins. É preciso criar políticas públicas.”

Candidato a estadual, o vereador Paulo Malerba (PT) reforça a necessidade de investimentos. “Independentemente da chuva, há lugares com água sem meios para interligar com locais em falta. A Sabesp tem lucro e não cumpre com o que deveria. Temos que exigir proteção também aos mananciais.” Colega de Câmara e candidato a federal, Leandro Palmarini (PV) defende o planejamento. “Vou cobrar dos órgãos responsáveis e fiscalizar. Tudo isso poderia ter sido planejado. Agora, querem correr atrás do problema, depois que estourou.”

Filiados ao PSC, Roberto Leme, candidato a federal, e Enivaldo Ramos de Freitas, o Val, a estadual, são categóricos e disseram ter se comprometido com cidades da Região para reverter a situação. “Tenho um compromisso muito forte com os trabalhadores de Itu. O comércio também foi prejudicado. Vou buscar verba para o sistema de água”, diz Leme.

Val diz que Itu está quase em situação de calamidade pública. “O prefeito se nega a decretar. Faltam ações preventivas na nascente dos rios. Temos rios muito importantes na região e vou lutar pela preservação de mata ciliar nas margens.”


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