Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Cientista político diz que esquerda não tem força para colocar candidato no 2º turno

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 29/07/2018 | 05:20

O país vive uma “situação esdrúxula” nessas eleições de 2018, uma vez que o candidato com a maior intenção de votos, o ex-presidente Lula (PT), está preso. É o que pensa o cientista político Antonio Carlos Mazzeo, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp em Marília. Em entrevista ao Jornal de Jundiaí, Mazzeo diz que, sem Lula, a esquerda não tem força para colocar um candidato no segundo turno; aposta que Jair Bolsonaro (PSL) ficará estagnado em seus 15% de intenções de voto; afirma que, apesar de crescerem, os demais pré-candidatos não têm programa de governo claro e critica a crise de legitimidade dos partidos. Confira os principais trechos:

CONFIRA TAMBÉM MAIS NOTÍCIAS DA POLÍTICA

CLIQUE AQUI E LEIA OUTRAS EDIÇÕES DA COLUNAS PELA ORDEM

Estamos a pouco mais de dois meses das eleições e o cenário permanece indefinido. A que o senhor atribui isso?
O cenário atual é determinado por uma situação esdrúxula: o candidato com maior intenção de voto está preso sob alegações que estão sendo questionadas por diversos setores da sociedade. Os demais pré-candidatos flutuam em 15% de intenção e nenhum disse a que veio ainda. Geraldo Alckmin (PSDB) sinalizou que vai continuar as medidas do atual governo, mas está negociando a vice-presidência com Aldo Rabelo, que sempre foi da esquerda. Como ter um candidato com ideias neoliberais e um vice com discurso social?

Como você vê a atuação do Centrão, que a princípio ficou dividido entre Alckmin e Ciro Gomes (PDT)?
Bom, o Centrão não é nada, o nome já diz. Na revolução francesa, os jacobinos ficavam à esquerda no parlamento e os girondinos à direita, por isso ainda falamos esses termos. Quem ficava no meio, naquela época, era chamado de “pântano”, pois não se sabe onde pisa. O Centrão me lembra este grupo: não tem posição nem projeto de estado, nada. Este episódio entre Ciro e Alckmin evidencia este nada. Estão aí para negociar cargos e favores, como a maioria dos partidos no país e no mundo. Agora, infelizmente não se governa sem eles.

Partidos são uma instituição em declínio?
A crise é de legitimidade da democracia representativa, o que é grave. Em outros países você vê movimentos “contra tudo que está aí” e que viraram partidos ruins, sem projeto. No Brasil o caso é ainda mais grave, pois não se vota em partido e sim em pessoas, então eles estão permanentemente em crise. É preciso se reinventar.

Acredita em uma polarização entre direita e esquerda no 2º turno novamente?
A polarização já existe, mas sem Lula a esquerda não tem forças para colocar um candidato no segundo turno. O que está se desenhando é uma eleição com muita abstenção e votos nulos/brancos, o que favorece os oportunistas.

Será Bolsonaro vs. algum candidato de centro, então?
Não. Acredito que Bolsonaro ficará estagnado nos 15%, que são as pessoas que pensam de forma retrógrada como ele, mas não cresce. Talvez Ciro tenha um papel mais relevante se conseguir unir a esquerda. Agora, o diagnóstico deverá ser feito semana a semana.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação


Link original: https://www.jj.com.br/politica/cientista-politico-diz-que-esquerda-nao-tem-forca-para-colocar-candidato-no-2o-turno/
Desenvolvido por CIJUN