Política

Com juros a 5%, economia dá sinais de recuperação


Pela terceira vez seguida, o Banco Central (BC) diminuiu os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 5% ao ano, com corte de 0,5 ponto percentual. A decisão era esperada pelos analistas financeiros. Com a decisão tomada na quarta-feira (30), a Selic está no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018, só voltando a ser reduzida em julho deste ano. O gestor de governo e finanças da Prefeitura de Jundiaí, José Antônio Parimoschi, afirma que os efeitos dessa mudança ainda não serão percebidos a nível municipal. “A priori, a redução da Selic não tem nenhum reflexo direto nas contas públicas municipais. As operações de crédito que a prefeitura têm não são afetadas por essa redução da taxa”, comenta. A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. No último Relatório de Inflação, o BC projetava expansão da economia de 0,9% para este ano e de 1,8% em 2020. O professor Messias Mercadante, gestor de desenvolvimento econômico da Prefeitura de Jundiaí, afirma que a queda dos juros só é possível devido à inflação estar baixa e controlada, e que isso pode causar uma melhoria na economia brasileira em relação a investimentos do exterior. “Os juros baixos também fazem cair as taxas dos empréstimos de bancos, o que melhora o orçamento do setor público e pode até resultar na diminuição da dívida pública”, diz. O diretor-titular da Ciesp-Jundiaí, Marcelo Cereser, comenta que o cenário é de expectativa para um crescimento da atividade econômica no país até o final do ano. “A instabilidade do cenário econômico fez com que os investidores deixassem grande parte de seu dinheiro parado nos últimos anos, para não correr riscos. Mas a baixa nos juros faz com que esse capital parado não seja mais rentável e irá incentivar os detentores do dinheiro a movimentá-lo, investindo em negócios um pouco mais arriscados”, afirma. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “A medida busca reduzir os juros dos empréstimos e no setor de habitação isso é fundamental. Um comprador com salário médio de 10 mil reais vai poder financiar um apartamento de 350 mil. Antes esse teto poderia ser de 300 mil”, destaca o diretor regional do Secovi, Ricardo Benassi. Na quarta-feira (30), a Caixa também havia reduzido a taxa de juros, para 6,75%. Gerente regional da Construção Civil da Superintendência da Caixa Econômica Federal de Jundiaí, Marcelo Mizuca, já nota que a demanda por empréstimos de financiamento imobiliário aumentou de forma considerável. “Só no mês de outubro nós tivemos um aumento de 30 por cento em relação à demanda média de janeiro a setembro. Os bancos privados vão ter que acompanhar essa redução.” A caixa detém 70% da fatia de financiamentos imobiliários. O movimento promissor também é acompanhado pelo vice-presidente de marketing e inteligência de mercado da Proempi, Eli Gonçalves. “Em um contexto macro, nesta década, nunca tivemos um momento que integrasse tão bem Selic baixa, preços baixos nos imóveis e taxas baixas nos financiamentos imobiliários. A redução contínua da taxa Selic deixa menos atraente os títulos públicos e estimula os bancos a direcionarem seu próprio dinheiro para empréstimos a juros mais baixos”, diz. “Assim, o comprador encontra-se num especial momento para voltar a adquirir imóveis, restando apenas que a economia brasileira devolva ao trabalhador um pouco mais de confiança quanto à sua empregabilidade”, completa. O comércio também se anima com corte dos juros da Selic. Especialistas apontam, ainda, mais um corte de meio ponto percentual ainda este ano. A estimativa é que essa taxa chegue a 4% em 2020. “Alguns segmentos do varejo, especialmente os que têm tíquete médio mais alto, poderão ser beneficiados como eletroeletrônicos, veículos, móveis e material de construção", afirma Edison Maltoni, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região.   [caption id="attachment_62190" align="aligncenter" width="800"] Messias Mercadante Castro[/caption]

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