Política

Com ramificações em Jundiaí, caso Guiné-Bissau segue sem solução


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Crédito: Reprodução/Internet
Há mais de um ano após a apreensão milionária da comitiva do vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mangue, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, ainda não há um desfecho para o caso. No último dia 14 de setembro, a apreensão em Viracopos completou um ano. A operação fez buscas inclusive em Jundiaí. No dia 14 de setembro de 2018, uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) com a Receita Federal, apreendeu uma bagagem milionária da comitiva do vice-presidente da Guiné Equatorial. A delegação transportava R$ 55 mil, US$ 1,5 milhão, em espécie, e 20 relógios de luxo avaliados em US$ 15 milhões. O Ministério das Relações Exteriores informou em nota que "se manteve em coordenação permanente com a Polícia Federal e a Receita Federal no acompanhamento do caso, inclusive quanto à adoção de medidas cabíveis". O caso está sob sigilo diplomático. De acordo com a Polícia Federal, a investigação segue em segredo de justiça, por isso, nenhuma informação foi disponibilizada. A Receita Federal e o Itamaraty não falam do caso. A embaixada da Guiné-Equatorial, por sua vez, não quis responder aos questionamentos da reportagem. Junto com o vice-presidente estavam mais 10 pessoas. A comitiva não estava em missão oficial no País. Em visitas oficiais, a bagagem diplomática, com documentos do país de origem, não passam por fiscalização. A delegação da Guiné Equatorial, no entanto, não tinha malas com conteúdo diplomático. O secretário particular de Teodorín, Lemenio Akuben, disse que o vice-presidente estava sob proteção da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e não poderia ser alvo de inspeções comuns. O avião de Teodorín, uma aeronave Jumbo 77 aterrissou em Campinas por volta de 9h45 e desembarcou na cidade com 11 passageiros. Por causa das prerrogativas do cargo, o vice-presidente não foi submetido a vistoria. No entanto, sua equipe foi fiscalizada, o que levou à apreensão dos bens. Em decorrência dessa apreensão, no dia 10 de outubro daquele ano, a PF deflagrou a Operação Salvo Conduto e cumpriu sete mandados de busca em São Paulo, Hortolândia, Jundiaí e Distrito Federal. A operação ocorreu por conta de dois inquéritos policiais. Teodorín já foi condenado na França acusado de adquirir propriedades com dinheiro público desviado da Guiné. Ele também é investigado nos EUA por lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. O primeiro inquérito foi instaurado no começo do ano passado a pedido do Ministério Público Federal (MPF) para que a PF apurasse crime de lavagem de dinheiro, já que havia indícios de ocultação de propriedade na compra de um apartamento triplex, em 2008, no bairro dos Jardins, em São Paulo. O imóvel custou R$ 15 milhões, mas a empresa de Jundiaí, que o comprou, tinha capital social de apenas R$ 10 mil. O apartamento está avaliado em R$ 70 milhões. O segundo inquérito foi instaurado após a apreensão dos valores em Viracopos e apura lavagem de dinheiro. (Correio Popular)

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