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Combate à Fake news pede estrutura e credibilidade

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 14/06/2018 | 14:01

A Justiça Eleitoral brasileira mostrou ter a estrutura e a credibilidade necessária para combater as ‘fake news’ durante as eleições deste ano. É o que pensam o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Jundiaí, Ayrton Bressan, e o cientista político Paulo Silvino Ribeiro. O caso se refere à primeira decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo os pré-candidatos ao pleito de outubro. Na quinta-feira passada (dia 7), o ministro Sérgio Banhos determinou a retirada, em 48h, de notícias falsas publicadas pela página do Facebook “Anti-PT” sobre Marina Silva e pediu que a rede social desse informações sobre o criador da página.

Uma das matérias dizia que ela estava envolvida na Lava Jato, outra que recebeu caixa dois, uma terceira que seria “recebedora de propina” e também uma que indicava ser beneficiária de repasses da Odebrecht. Sua defesa afirmou que Marina não está envolvida em irregularidades e não é ré nem investigada na operação.

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Para Silvino, existe uma linha tênue entre o combate necessário e a censura, mas tem segurança no trabalho do TSE. “As instituições vêm perdendo credibilidade em nosso país, mas a Justiça Eleitoral se mantém como um exemplo no mundo todo”, opina.

Bressan acredita que as ‘fake news’ são fruto da sensação de impunidade dada pelas novas tecnologias. “As pessoas acham que, porque estão atrás de um aparelho, estão inatingíveis, o que não é verdade”, diz. No entanto, ele não acha que sua disseminação tenha tanto poder de mudar o voto dos eleitores convictos. “A população se deixa levar mais pelas opiniões dos amigos e familiares do que pela mídia”, afirma.

O cientista político diz que quem possui opiniões mais radicais tende a ignorar informações negativas sobre o candidato de sua escolha, mesmo que sejam verdadeiras, e tem mais probabilidade de repassar notícias falsas relacionadas ao lado oposto. “O radicalismo cria uma certa mitologia em torno de algumas figuras. Por isso, a defesa dessa figura e o ataque ao polo oposto não é lógico nem racional”, analisa.

O grande perigo, porém, seria o potencial de influência das ‘fake news’ sobre a população indecisa que, segundo a última pesquisa do Datafolha, divulgada no domingo (10), é formada por cerca de um terço do eleitorado. “A sociedade ocidental do século 21 estimula essa demanda incessante por informação o tempo todo, mas a preocupação com a origem da notícia não está na vida do cidadão comum”, diz Silvino.

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