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CPMI rastreia 2 milhões de anúncios em sites “inadequados”

Angelo Augusto Santi | 04/06/2020 | 11:38

Dois milhões de anúncios do governo federal em canais com conteúdos considerados “inadequados” foram identificados em levantamento realizado por consultores legislativos da Câmara dos Deputados a pedido da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News. Entre os meios, estão sites, aplicativos de celular e canais no Youtube que veiculam, por exemplo, material pornográfico, e difundem jogos de azar e investimentos ilegais. O levantamento identificou que 4,37% dos anúncios (2.065.479) foram veiculados em canais com conteúdo classificado como inadequado.

O funcionamento do Google AdSense é bem simples. Basicamente ele é um programa onde os anunciantes pagam ao Google pela exibição de anúncios e ele paga aos blogs e sites afiliados para exibirem estes anúncios em área previamente determinadas pelo administrador do site.

Logo, é a própria inteligência do Google que escolhe os sites que em as propagandas serão publicadas, não o anunciante. O anunciante paga por vez em que o anúncio for clicado, e o dono do site recebe diretamente do Google.  De acordo com o relatório, foi solicitado à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), por meio do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC), dados dos canais que exibiram anúncios do governo federal no período de 1º de janeiro a 10 de novembro do ano passado.

Entre os canais que receberam anúncios da Secom está o canal no Youtube “Terça Livre”, do blogueiro Allan dos Santos, alvo da operação da Polícia Federal deflagrada na semana passada no âmbito do “inquérito das fake news”. “Em oitiva realizada pela CPMI das Fake News em 5 de novembro de 2019, o Sr. Allan dos Santos afirmou que seus veículos de comunicação, incluindo o canal de YouTube Terça Livre TV, não recebem dinheiro da Secom”, diz o relatório.

De acordo com o documento encaminhado pela secretaria, no período, 65.533 canais de internet receberam mais de 47 milhões de anúncios do Governo Federal.

Em resposta enviada à imprensa, a Secom informou que “não patrocina qualquer site ou blog.” Foi explicado também que as verbas publicitárias são direcionadas pelo Google Adsense, que utiliza inteligência artificial e critérios próprios para distribuição de anúncios.

“Ou seja, cabe à plataforma as explicações pertinentes sobre a ocorrência. Os veículos que constam na lista citada pela matéria foram selecionados pelo desempenho aferido pelo algoritmo do Google, e não pela Secom.”


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