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Delação liga doleiro Dario Messer à Odebrecht

DAS AGÊNCIAS | 16/07/2018 | 20:31

Ainda pouco conhecida nas investigações da Lava Jato, a conta da Odebrecht com o megadoleiro Dario Messer, que está foragido, movimentou US$ 300 milhões ao longo de quatro anos, segundo delação premiada firmada por operadores no Rio. Messer é pivô de ação penal aberta pelo juiz Marcelo Bretas, em junho, contra uma rede de 61 doleiros na qual a Odebrecht é uma das principais envolvidas.

Nos depoimentos dos 78 delatores da Odebrecht divulgados no ano passado, o vínculo é pouco mencionado. O ex-executivo Luiz Eduardo Soares trata brevemente do doleiro, ao afirmar que a empresa criou na década passada o “Setor de Operações Estruturadas”, conhecido como “Departamento de Propina”, porque Messer esteve impedido de operar para a empreiteira. Depois, contou ele, as operações foram assumidas por uma dupla identificada como Juca e Toni. Juca e Toni são respectivamente Vinicius Claret e Claudio Barboza de Souza, hoje delatores da Lava Jato no Rio.

Baseada em grande parte na delação dos dois, a acusação do Ministério Público Federal do Rio afirma que a relação de Messer com a empreiteira durou até a Lava Jato prender executivos em 2015. Claret e Souza se apresentam como subordinados de Messer e afirmam que apenas uma das contas, aberta no Panamá, no banco Credit Corp, movimentou US$ 104 milhões (R$ 390 milhões) de 2011 a 2015. Messer possui cidadania paraguaia e teve ordem de prisão expedida em operação deflagrada no início de maio.

Uma das poucas menções a ele na delação da Odebrecht tornada pública no ano passado é indireta. Um dos delatores da empreiteira entregou uma lista de visitantes à unidade da empresa na praia de Botafogo, no Rio, com milhares de registros de entrada no prédio como prova em uma acusação contra um empresário. Nesse documento, consta uma visita de Messer ao prédio da Odebrecht em dezembro de 2012, na qual foi recebido por Marcos Grillo, executivo que acabaria virando delator.

A delação da empreiteira, homologada no início de 2017, ainda tem trechos sob sigilo. Os relatos dos ex-executivos da empresa – que envolvem crimes no exterior – não foram tornados públicos inicialmente para que a empresa tivesse maneiras de firmar acordos com autoridades de outros países.

O OUTRO LADO
Procurada, a Odebrecht diz que está cooperando com as autoridades. A defesa de Dario Messer nega que ele seja um “doleiro dos doleiros”, expressão difundida quando a “Câmbio, Desligo” foi deflagrada.
O advogado dele, José Augusto Marcondes de Moura Júnior, disse que Messer deixava com a dupla Claret e Barboza recursos lícitos para investimentos legais. (Folhapress)

Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

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