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Descrédito politico afugenta os vereadores jundiaienses das eleições 2018

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 17/08/2018 | 05:35

Em janeiro, quando o Jornal de Jundiaí realizou um primeiro levantamento, pelo menos dez vereadores estavam considerando a possibilidade de concorrer às eleições como deputado estadual ou federal. Agora, findado o prazo para registrar as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), este número foi reduzido para dois. Marcelo Gastaldo (PTB) é candidato a deputado federal, enquanto o presidente da Casa, Gustavo Martinelli (PSDB), concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

O descrédito da população na política foi apontado como um importante motivador para desistir do pleito. “Tá difícil pedir voto agora. Temos que manter o pé no chão e acalmar os ânimos”, afirma Rogério Silva (PHS), que pensava em concorrer como deputado estadual em janeiro. Márcio Cabeleireiro (MDB), que também mostrou interesse em uma vaga na Alesp na época, concorda com Rogério.

“A política está muito desgastada, principalmente para quem já tem mandato. A população quer gente nova”, comenta. “Decidi ficar na Câmara mesmo”. Seu irmão, porém, foi escolhido pelo partido para representar a cidade no pleito. O pastor Miguel Arcanjo (MDB) é candidato a deputado estadual. “Meu irmão sempre teve o desejo de participar da política e, se Deus permitir que ele seja eleito, será ótimo para a cidade ter um representante na Câmara e outro na Assembleia”, opina Márcio.

câmara dos vereadores

Mandato
A preocupação em manter o mandato até o fim e a falta de experiência também foram apontados por alguns parlamentares. “Para ser deputado tem que ter um pouco mais de experiência”, comenta Antonio Carlos Albino (PSB). Ele recusou o convite do próprio partido e de outras legendas para participar do pleito. “É meu primeiro mandato no Legislativo e sinto que devo cumpri-lo até o fim se quiser fazer as coisas direito no Congresso Nacional.” O parlamentar também sente uma cobrança da população para se manter próximo. “Os eleitores preferem a gente aqui, tentando resolver os problemas da cidade, do que em Brasília. Aqui o vínculo que temos é maior e fica mais fácil mostrar as demandas”, opina.

Legado
Cristiano Lopes (PSD) diz que pensou muito no assunto, mas a continuidade de seu trabalho como vereador pesou na decisão. “Acabei recusando por dois motivos: primeiro porque meus eleitores querem que eu cumpra meu mandato, e depois porque tenho uma série de projetos de lei importantes em tramitação”, diz. “Vejo que, quando os vereadores antigos saem, as propostas ficam paradas. Também acho importante ir até o fim do mandato para aprender mais, se quiser concorrer a outro cargo”, diz. Wagner Ligabó (PPS) também foi cotado pelo partido para concorrer ao pleito. O presidente do PPS, Roberto Freire, chegou a citá-lo em um vídeo como convocação. O parlamentar, porém, fez outro vídeo para recusar o pedido, em que afirma que o corporativismo da máquina pública o amedronta. Cícero da Saúde (PROS) e Romildo Antônio (PR) também receberam propostas, mas decidiram se manter na Câmara.


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