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Diálogo entre Ciro e Centrão por apoio à presidência desagradava dirigentes locais

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 20/07/2018 | 13:00

Com a oficialização da candidatura de Ciro Gomes (PDT) à presidência durante a convenção nacional do partido, na manhã desta sexta (20), aumenta a pressão sobre o postulante para firmar sua chapa de apoiadores. Durante a semana, Ciro buscou dialogar com os partidos do chamado Centrão, que reúne legendas como DEM, PR, PP, PRB e Solidariedade. O desafio é buscar pautas comuns entre os pedetistas e o bloco, especialmente no que tange à economia. Para Oswaldo Fernandes, do PSB Jundiaí, Ciro traz propostas complicadas. “Ele quer reestatizar, revogar a reforma trabalhista, dissolver o acordo Embraer-Boeing e um estado com mais intervenção na economia”, enumera. “A mim não agrada, mas o PSB é um partido de centro-esquerda hoje e uma parceria com Ciro não seria estranha”, pondera. Em sua opinião, porém, os partidos do Centrão fariam alianças mais fáceis com Geraldo Alckmin (PSDB). “As propostas econômicas desse grupo batem mais com as do tucano”, diz. Os dirigentes municipais do Centrão concordam.

Pró-tucanos
“O posicionamento do PR é uma preferência pelo Alckmin, pois suas pautas são mais progressistas”, admite Adilson Rosa, presidente do PR Jundiaí. “O partido vai se reunir com o grupo e tentar fazer um trabalho de convencimento”. Jorge Yatim, líder do diretório municipal do DEM, assente. “Alckmin é um aliado histórico. Ele é minha preferência pessoal, e se o partido optar por Ciro, vamos ter que conversar”, diz. O vereador Roberto Conde, que preside o PRB Jundiaí, preferiu não se posicionar. “Tínhamos um nome próprio, o empresário Flávio Rocha, mas ele retirou sua candidatura e o apoio ficou em aberto”, diz. “Agora quem decide é a executiva nacional e eles não repassaram nada para os diretórios municipais”.

Campo minado
Com o apoio do Centrão, Ciro ganha uma bancada significativa no Congresso Nacional. Se ele decidir alterar suas propostas econômicas para agradar o grupo, porém, poderá perder o apoio de algumas alas da esquerda, que busca uma unificação que possa abocanhar alguns votos do ex-presidente Lula (PT). Rafael Purgato, do PCdoB Jundiaí, admite que a legenda não descarta retirar a candidatura de Manoela D’Ávila à presidência para apoiar um projeto comum entre partidos da esquerda. “O partido entende que Ciro Gomes faz um bom diálogo em busca dessa união”, diz. Ele confessa, porém, que a proximidade com o DEM desagrada. “O DEM é um partido ultrapassado, cheio de coronéis que representam o latifúndio. Vai ser difícil unificar um projeto de país com pautas em comum”, analisa. “Mas se Ciro conseguir manter suas pautas progressistas mesmo se aliando aos setores da burguesia, aí pode ser interessante”.

O que diz o PDT JUNDIAÍ
Gerson Sartori, presidente do diretório municipal do PDT, diz que o diálogo é importante. “Ciro poderia estar negociando cargos em troca de favores, como faz o presidente Michel Temer (MDB), mas em vez disso ele está debatendo propostas de governo, o que é saudável”, afirma. “Você tem que ter dois terços do Congresso para conseguir governar ou não consegue fazer nada. Então se a gente quer colocar o país de volta no rumo do desenvolvimento, tem que conversar”.

ATUALIZADA: Centrão desiste de Ciro e decide apoiar Alckmin


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