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Diretor do Inpe é exonerado após críticas do presidente

FOLHAPRESS | 02/08/2019 | 19:58

O ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) decidiu exonerar ontem (2) o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, após críticas sobre dados a respeito de desmatamento considerados sensacionalistas pelo governo.

Pontes e Galvão se reuniram por cerca de duas horas ontem. Ao final, Galvão falou por três minutos a jornalistas.

Segundo ele, o motivo de sua exoneração foi porque seu discurso em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) criou constrangimento. Galvão havia dito que até poderia ser demitido, mas que o instituto era cientificamente sólido o suficiente para resistir aos ataques do governo. Disse também, que “ele (Bolsonaro) tem um comportamento como se estivesse em botequim”, e completou. “Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da República”.

Ontem, comentou sua saída. “Diante do fato, a maneira como eu me manifestei com relação ao presidente, criou-se um constrangimento que é insustentável. Então eu serei exonerado”, afirmou, ontem, o diretor, que disse concordar com sua substituição.

Galvão afirmou que tinha preocupação de que suas críticas fossem respingar no Inpe. “Não vai acontecer”, ressaltou.

Apesar de ter mandato de quatro anos com prazo para terminar no final do próximo ano, ele disse que, no regimento do instituto, está explícito que o ministro poderia, numa situação de perda de confiança, substituir o diretor do órgão.

Ele disse ainda ter indicado um nome para substitui-lo com o objetivo de continuar sua linha de ação à frente do instituto, mas não quis dizer quem seria, por ser prerrogativa do ministro escolher o novo diretor do Inpe.

Para Pontes, qualificado por Galvão como um ministro de “alta capacidade técnica”, o diretor do Inpe disse que não precisou defender a solidez dos dados do Inpe.

“Ele concorda inteiramente com os dados do Inpe. Ele sabe como são os dados. Foi só uma questão simples de comunicação que houve e que nós esperamos corrigir”, disse. Ele afirmou ainda que a conversa foi “excelente” e “muito construtiva”.

Críticas de Bolsonaro
A exoneração ocorre depois de críticas reiteradas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao Inpe nas duas últimas semanas por causa de dados que apontaram alta no desmatamento.

Na quinta (1º), Bolsonaro ameaçou demitir Galvão de forma mais direta. “Se quebrar a confiança, vai ser demitido sumariamente. Perdeu a confiança, no meu entender, isso é uma pena capital”, disse. “Eu lamento que alguns tenham mandato, não sei se no caso dele tem mandato ou não. A gente não pode tomar uma decisão mais drástica no tocante a isso, porque o estrago é muito grande”, afirmou.

No dia 19 de julho, em café da manhã com jornalistas estrangeiros, Bolsonaro questionou os dados de desmatamento. “Com toda a devastação de que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido”, disse. “É lógico que eu vou conversar com o presidente do Inpe.  Matérias repetidas que apenas ajudam a fazer com que o nome do Brasil seja malvisto lá fora”, disse mais tarde no mesmo dia.

O presidente afirmou também que os dados do Inpe não correspondiam à verdade e sugeriu que Galvão poderia estar a “serviço de alguma ONG”. Nos bastidores, o ministro Marcos Pontes demonstrava apoio ao Inpe e aos dados do desmatamento. A situação mudou após a publicação, em rede social, de um comunicado no qual o ministro afirmava compartilha a “estranheza” de Bolsonaro em relação aos dados de desmate.

Em seguida, no encontro anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campo Grande, Pontes defendeu restrições à publicação de dados.

As informações sobre o tema, desmatamento produzidas pelo Inpe -tanto o Deter quanto o Prodes, que mede o desmate anual- são públicas e podem acessadas pelo portal TerraBrasilis, do Inpe. A plataforma pode ser acessada em terrabrasilis.dpi.inpe.br.


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