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Eleições: brasileiro quer candidato de família pobre e que seja cristão

BÁRBARA MANGIERI - bmangieri@jj.com.br | 17/03/2018 | 20:45

O próximo presidente do Brasil deve crer em Deus, ser de família pobre, priorizar questões sociais, ter ficha limpa e experiência prévia na política. É o que diz a pesquisa “Perspectivas para as Eleições de 2018”, do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados preferem candidatos de família pobre. Para o cientista político Pedro Rocha Lemos, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) em Jundiaí, o dado reflete uma rejeição aos governantes da elite. “É preciso analisar a amostragem de entrevistados, mas as pessoas, de modo geral, preferem representantes mais próximos da própria realidade”, analisa. A pesquisa também revelou que 79% acreditam que o candidato a presidente deve acreditar em Deus, apesar de apenas 29% fazerem questão que o candidato seja da mesma religião que eles. “É cultural, não significa que as pessoas querem que a religião interfira nas decisões políticas do escolhido”, diz Lemos.

Ficha limpa
Os recentes escândalos de corrupção também impactam na decisão dos eleitores. Sobre as características pessoais mais importantes para um candidato, as respostas mais citadas foram “ser honesto” (87%) e “nunca ter se envolvido com corrupção” (84%). Em outro tópico, 47% dos entrevistados afirmam que preferem candidatos com experiência prévia na política, apesar dos grupos em prol da renovação política que surgiram nos últimos tempos. “Os dados colocam esse discurso à prova. Será que eles representam mesmo a vontade do povo?”, questiona o cientista social. O prefeito Luiz Fernando Machado (PSDB) também comenta a questão. “O eleitor está cada vez mais exigente, isso se reflete na importância da experiência”, diz.

Prioridades
O que mais chamou a atenção do professor foram as prioridades que o candidato deve ter, na opinião dos entrevistados. A melhora da saúde, educação e segurança e a diminuição da desigualdade social deve ser o foco do candidato para 44%. O combate à corrupção aparece em 2º lugar, com 32%, e em 3º vem a “estabilização da economia, com queda definitiva do custo de vida e do desemprego”. “A melhora nesses índices passa até pela diminuição da violência”, opina Pedro. Para Luiz Fernando, “isso vem como resposta de que gastar acima do que se arrecada por anos a fio não dá certo”, diz.


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