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Em Jundiaí, quarentena será maior que a europeia

Angelo Augusto Santi | 07/05/2020 | 11:59

Jundiaí chegará ao 50º dia de quarentena no próximo sábado (9), período em que países da Europa começaram a sair do isolamento e voltar com algumas de suas atividades. A cidade, porém, vive um dilema: enquanto uma corrente quer a reabertura gradual dos estabelecimentos comerciais e um isolamento seletivo, apoiada pela maioria dos empresários, uma liminar da Justiça obriga o município a seguir o decreto estadual e permanecer em quarentena até o dia 10 de maio.

O infectologista do Hospital São Vicente (HSV), Marco Aurélio Cunha de Freitas, afirma que, no Brasil, o isolamento social não foi tão radical quanto na Europa, o que fez com o que o vírus continuasse circulando, e que irá resultar em um período maior de quarentena. “Ainda não é hora para uma reabertura, pois os casos não estão diminuindo. É muito difícil fazer uma previsão, pois é preciso analisar os números dia após dia”, comenta.

Uma empresa de análise de dados de Cingapura criou um site para “prever” a data de término da disseminação em várias partes do mundo, conforme atualizações diárias. Segunda a pesquisa, o covid-19 atingiria seu ápice no Brasil em maio e teria uma redução considerável no número de afetados (de 97%) somente em 6 de junho enquanto o contágio seria zerado somente em 6 de setembro.

Márcio Ribeiro, diretor de comércio exterior do Ciesp-Jundiaí, diz que a prioridade é a vida e isso não deve ser questionado, mas algumas medidas, mesmo que necessárias, terão forte impacto no futuro. “Boa parte da indústria não parou, mas existe a dependência do comércio para a venda dos produtos. Os impactos econômicos das ações de isolamento devem ser analisados com cuidado para não se criar um problema ainda maior no futuro. Acredito que a redução do PIB será de pelo menos 5% neste ano e a pouca quantidade de testes no Brasil dificulta uma previsão exata para a retomada das atividades”, afirma.

Presidente da Câmara de Jundiaí, Faouaz Taha (PSDB), fala sobre a importância de analisar separadamente a situação de cada país, embora alguns países possam servir como referência. “Penso que enquanto não houver uma vacina ou algum remédio eficiente, o isolamento ainda é a melhor forma de prevenção. Em Jundiaí, nenhuma ação foi tomada de maneira isolada e também há o cuidado em relação ao comércio. Houve uma possibilidade de reabertura, mas tivemos de acatar a decisão de novo fechamento”, comenta.

Na noite de ontem (6), a Justiça deferiu a liminar solicitada pelo Ministério Público para revogar o decreto municipal que determinava o afrouxamento da quarentena em Jundiaí.


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