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Em Nova York, Moro fala em ilusão sobre ídolos

DA FOLHAPRESS - redacao@jj.com.br | 02/03/2018 | 18:50

Num debate em Nova York, nos Estados Unidos, o juiz federal Sergio Moro defendeu o fim do foro especial, dizendo que ele deve ser mantido só para o presidente, alertou para retrocessos no combate à corrupção que podem ocorrer nos próximos meses, em alusão às eleições, e defendeu a sua conduta nos julgamentos da Lava Jato. Sem tocar no nome do ex-presidente Lula, que condenou no ano passado no caso do triplex, Moro disse ainda nesta sexta-feira (2) que as pessoas têm ilusão sobre alguns ídolos, mas é hora de verem a verdade. “Se você for ao processo, vai ver que ninguém está sendo investigado ou julgado por causa de sua opinião política, mas por causa de lavagem de dinheiro, propina e atos criminosos”, destacou.

O magistrado paranaense falou ainda em “novo espírito” de combate à corrupção que toma os tribunais brasileiros no rastro da Lava Jato, por ele comparado à Operação Mãos Limpas, na Itália, e ao julgamento do escândalo Watergate nos EUA. “O povo não está insatisfeito com a democracia, está insatisfeito com os problemas da democracia”, afirmou. “E um desses problemas é a corrupção generalizada e a impunidade. As pessoas começam a perder a confiança no estado de direito, nos políticos, nos juízes e nos procuradores, então começam a perder a confiança na democracia. Por isso precisamos continuar o nosso trabalho”.

Na porta da Americas Society, o think tank que organizou o encontro em Manhattan, um grupo de manifestantes enfrentou uma forte tempestade de chuva e neve para protestar contra o juiz. Em inglês, eles gritavam que Moro vende sentenças e listavam benefícios de seu cargo no Brasil, como o auxílio-moradia. Um cartaz com um retrato de Lula dizia que o ex-presidente é inocente e outro afirmava que a decisão dele no caso do triplex envergonhou o Brasil – Moro entrou por ali, mas chegou antes do começo do protesto.

capa de revista
Do lado de dentro, um cartaz reproduzia a capa da revista “Americas Quarterly” em que o juiz aparece vestido como soldado, metralhadora em punho e uma bandeira do Brasil no peito, debaixo de uma manchete que o chama de “caçador da corrupção”. Questionado durante o debate se no Brasil há uma onda de criminalização da política e se a Justiça por aqui é seletiva, Sergio Moro disse que não há problemas entre políticos e juízes e que alguns políticos estão criminalizando a política em nosso país porque cometeram crimes e devem ser julgados.


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