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Entendo a angústia do Moro, mas ele não julga mais ninguém, diz Bolsonaro

FOLHAPRESS | 08/08/2019 | 19:27

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quinta-feira (8) que lamenta a derrota sofrida pelo ministro Sergio Moro (Justiça) no Congresso, mas que ele “não julga mais ninguém” e que com isso, não pode decidir as coisas de forma unilateral.

“O ministro Moro é da Justiça, mas ele não tem poder de… não julga mais ninguém. Então, temos que, entendo a angústia dele em querer que o projeto dele vá para a frente, entendo, mas nós temos que combater, diminuir o desemprego, fazer o Brasil andar, abrir o nosso comércio.”

Ele afirmou que derrotas são “parte do jogo” e disse que o pacote anticrime, considerado prioridade para Moro, não é visto com urgência pelo governo.

“O Moro está vindo de um meio onde ele decidia com uma caneta na mão. Agora, não temos como decidir de forma unilateral. E temos que governar o Brasil. O que que eu sempre falei para todos os ministros? Eu quero que o Brasil dê certo.”

A declaração ocorre depois de o pacote anticrime de Moro ter sofrido nova derrota na Câmara.
Os deputados rejeitaram na terça-feira (6) a inclusão no texto final do projeto o chamado “plea bargain” que era planejado pelo ministro -tipo de solução negociada entre o Ministério Público, o acusado de um crime e o juiz.

Em julho, a Casa já havia imposto uma derrota ao ministro de Bolsonaro ao rejeitar a possibilidade de prisão em segunda instância, que era prevista no pacote.

Moro foi escolhido para chefiar a Justiça depois de se destacar como juiz da Lava Jato em Curitiba.
Bolsonaro disse que lamenta a derrota sofrida pelo ministro, mas que não pode pressionar o Congresso a votar o texto por não ser a prioridade do governo.

“Tem que conversar com o Moro, né? Teve alguma reação do Parlamento e você não pode causar turbulência. Lamento, mas tem que dar uma segurada. Eu não quero pressionar isso aí e atrapalhar, tumultuar lá. Tantas outras propostas não enviamos para não atrapalhar a Previdência”, afirmou.

Para o presidente, as mudanças feitas no projeto do ministro da Justiça pelos deputados são “parte do jogo”.

“É natural. Fiquei 28 anos lá dentro. Olha, ‘se a proposta for para frente eu não voto a Previdência’. É o jogo. Tem que saber jogar”, afirmou.


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